domingo, 1 de dezembro de 2013

Restauração da Independência

Os Conjurados foram um grupo nacionalista e patriótico português nascido clandestinamente na parte final do domínio espanhol sobre Portugal, que durou entre 1580 e 1640. O grupo Era constituído por cerca de cinquenta homens, 40 dos quais herdeiros de uma nobreza que ficou despojada de tudo depois do desastre de Alcácer Quibir e da posterior crise dinástica que culminou com a coroação de um Rei espanhol  , e os restantes do clero e militares, daí também serem conhecidos por Os Quarenta Conjurados, por estarem envolvidos quarenta brasões. O objectivo, logrado com sucesso,  foi a destituição dos Habsburgos castelhanos e proclamar um rei português.
Do grupo, aquele que ficou reconhecido como tendo sido o grande impulsionador da conspiração foi João Pinto Ribeiro, bacharel em direito canónico cuja jurisprudência, fundamentada em incumprimentos vários por parte da coroa ocupante, anulou o juramento de Tomar, no qual, em 1581, Filipe I de Portugal, II de Castela,  se comprometeu a manter a exclusividade de navios portugueses no comércio colonial, a permanência de funcionários portugueses na Administração Pública; o respeito pelas leis e pelos costumes, bem como, muito importante, o compromisso da preservação da língua portuguesa.
Outra personalidade que ficou para a posteridade como herói nacional foi Antão Vaz de Almada, o Conde de Avranches. Foi na sua casa, precisamente por essa razão hoje conhecida por Palácio da Independência, que se deu a última e decisiva reunião onde foi deliberado o que aconteceria pouco depois.
A 1 de Dezembro de 1640, Os Conjurados invadiram o paço da ribeira, onde se encontrava a vice-rainha de Portugal Catarina de Saboia, Duquesa de Mântua, e aquele que ficou para a posteridade como um dos maiores traidores da nossa História, o seu secretário-geral Miguel de Vasconcelos. Perante a invasão, a Duquesa de Mântua escondeu-se num armário, assim sobrevivendo. O governante traidor Miguel de Vasconcelos foi defenestrado pelo Conde de Avranches e morreu na sequência da queda dessa janela. Mortos os traidores e ocupado o palácio, os conjurados proclamaram rei D. João IV, Duque de Bragança, descendente de D. João I, aos gritos de LIBERDADE. O povo e toda a nação portuguesa acorreu de imediato a apoiar a revolução, a Restauração da Independência, que D, Filipe III, IV de Castela, a braços com outra revolta na Catalunha, não teve como contrariar, embora o tivesse tentado até 1668.
O 1º de Dezembro era o feriado civil mais antigo do nosso calendário. 2013 é o primeiro ano em que deixou de o ser. Este importantíssimo episódio da nossa História, determinante do que fomos depois, deixou de ser condignamente comemorado por decisão dos Migueis deVasconcelos da actualidade, agora aos serviços da grande finança, que, "porque sim", se lembraram de o abolir como feriado juntamente com o 5 de Outubro, até aqui também feriado em homenagem aos heróis que em 1910 fizeram a revolução que depôs a monarquia e implantou a República. Os traidores sabem que quanto menos referências históricas tiver este povo, já anteriormente embrutecido o bastante para lhes confiar o poder, menores são as probabilidades de, num futuro que não seria muito distante, viéssemos a contar com mais um feriado no nosso calendário, correspondente às defenestrações que tanto andam a fazer por merecer. Mas o patriotismo dos nossos dias são os golos do Ronaldo, que também eu comemoro com alegria e sem pesar, e o trabalhar muito e barato, que enriquece simultaneamente a aristocracia republicana e o ocupante externo em nome da salvação nacional, ao mesmo tempo que fatiga cérebros assim orientados em cada vez maior número para a satisfação das necessidades básicas que, juntamente com o culto do efémero, ocupam o lugar dos ideais. Os tempos estão mais para dias da migalha do que para fazer acontecer o tal dia que esta Cultura tuga vai deixando que se torne uma improbabilidade cada vez maior. A Restauração da Independência. Era uma vez um povo que abriu mão do legado seus antepassados. "História é uma seca", não compliquemos. Cultura é o que comemos e bebemos, o que vestimos, um smart phone e um televisor que fazem coisas fantásticas, o automóvel e a casa que são melhores do que os do vizinho. E somos portugueses por um acaso da História sem sangue, sem suor e sem lágrimas, caído do céu aos trambolhões.

2 comentários:

Daniel Ferreira disse...

Mantenho a minha: a data não desaparece, a comemoração e memória da data pode e deve manter-se, tal como fez a câmara de Lisboa e outras, para tal não é preciso um feriado. Acredito que nunca se falou tanto da efeméride comemorada no 1º Dezembro e 5 Outubro como este ano. O fim do feriado foi a melhor coisa que aconteceu às datas. Pode não ter sido para a classe trabalhadora (tirando aqueles que trabalhariam na mesma, mas desses ninguém fala, desde que estejam lá para nós), mas isso é outra discussão. Misturar comemoração de datas com folgas laborais é misturar alhos com bugalhos.

Filipe Tourais disse...

O Daniel dá-se por feliz por não terem acabado com o dia 8. Realmente, passar directamente de 7 para 9 seria uma confusão. Quanto ao ser feriado, nem sei por que razão eles existem em todos os países do mundo. É aboli-los de uma vez por todas, não servem para comemorar coisa nenhuma.