quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Pipocas


Numa nota enviada pelos CTT à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) nesta quarta-feira, a empresa administrada por Francisco Lacerda informa que foi notificado na terça-feira pelo Deutsche Bank London de uma operação de aquisição de capital realizada no dia 4 de Dezembro (na venda directa das acções dos Correios, um dia antes da entrada em bolsa). A operação representou um investimento de 16,9 milhões de euros nos CTT, tendo em conta o preço de venda de 5,52 euros por acção fixado pelo Governo para a privatização da empresa.

Numa segunda nota divulgada logo de seguida, os Correios informaram também o mercado da aquisição de uma participação accionista do grupo Goldman Sachs (referentes a operações realizadas por diversas sociedades do grupo no dia 5 de Dezembro) de 7.496.479 títulos, ou 4,998% do capital e votos. Este investimento foi realizado no dia em que se começou a negociar em bolsa os títulos da empresa portuguesa. A operação rondou os 41,3 milhões de euros.

Coincidência ou não, exactamente na semana anterior, o presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) afirmou no Parlamento que houve dois bancos que ameaçaram accionar a cláusula que lhes permite cancelar antecipadamente swaps, o que acarretaria prejuízos imediatos para as empresas públicas que os subscreveram. Um deles, adivinhem lá, era o Deutsche Bank, uma respeitável instituição que acumula ganhos com os bons negócios que tem feito com o Estado português num valor que daria para comprar vários CTT.

O mesmo para o Goldman Sachs, uma instituição ainda mais respeitável na medida em que, para além de negócios que envolvem SWAP e dívida pública portuguesa, não apenas foi a escola onde aprenderam vários membros do actual Governo  , como também foram os seus especialistas que conduziram as privatizações no pós-troika.

Vá, já sei o que estão a pensar, mas não será nada disso. Não terá sido com o mesmo nosso dinheiro que os sucessivos Governos têm dado a ganhar a estas instituições que elas depois vieram comprar os nossos CTT. E também não há conflito de interesses algum no facto de terem influenciado negócios nos quais acabaram depois por ser parte tão interessada ao ponto de comprarem acções. Em ambos, aliás, em todos os casos, estas instituições apenas quiseram ajudar-nos. Ajudaram nos SWAPS onde acabámos por perder mais de 3 mil milhões. Ajudaram-nos comprando a dívida pública portuguesa que lhes rende 8 mil milhões todos os anos. Agora compraram os CTT. Foi só mais uma ajuda, pequenina, de umas dezenas de milhão. E o que são umas dezenas de milhão no meio de tantos milhares de milhão? Pipocas.

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