quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Grancho fez o balanço


No final de novo braço de ferro entre o Governo e os professores, o balanço acaba por não ser nada difícil de fazer. Tão fácil resultou a tarefa que foi o próprio secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário a fazê-lo com notável mestria, brilhando em grande numa comunicação que foi breve e sem direito a perguntas dos jornalistas. João Grancho começou por lamentar os incidentes que ocorreram durante a manhã desta quarta-feira em algumas escolas, onde candidatos foram impedidos de realizar a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) e outros professores foram impedidos de as vigiar, concluindo com a informação de que o ministério vai agendar nova data para a realização da mesma. De nada serviu a tradicional mãozinha que os sindicatos afectos à UGT deram ao Governo na sua estratégia de dividir a classe, de nada serviu convocar centenas de suplentes para vigiar a prova, de nada serviu a estratégia de intimidação que Crato tentou ao enviar polícia de choque às escolas para receber os professores. A prova teve que ser adiada. Crato perdeu outra vez.

Qualquer balanço ficaria incompleto sem uma alusão aos incidentes que o já atrás sublinhado brilhantismo de João Grancho teve o cuidado de não se esquecer de referir: houve professores que furaram a greve e aceitaram ser cúmplices do Governo e vigiar a prova e houve professores que furaram o boicote e aceitaram submeter-se a uma humilhação para ganharem vantagem sobre todos aqueles que se recusaram e ficaram lá fora a lutar por todos, incluindo os próprios amarelos. É lamentável que a dignidade, o sentido de classe e todos aqueles valores que nos diferenciam dos animaizinhos não sejam avaliados para efeitos de ingresso na carreira docente. A escola deveria ser aquele lugar onde se aprende a ser gente com quem sabe o que isso é. Nuno Crato é capaz de ter alguma razão quando insinua que há professores que não têm os mínimos.

1 comentário:

fb disse...

Qualquer balanço ficaria incompleto sem uma alusão aos incidentes que João Grancho referiu: houve professores que furaram a greve e aceitaram ser cúmplices do Governo e vigiar a prova e houve professores que furaram o boicote e aceitaram submeter-se a uma humilhação para ganharem vantagem sobre todos aqueles que se recusaram e ficaram lá fora a lutar por todos, incluindo os próprios amarelos. É lamentável que a dignidade, o sentido de classe e todos aqueles valores que nos diferenciam dos animaizinhos não sejam avaliados para efeitos de ingresso na carreira docente. A escola deveria ser aquele lugar onde se aprende a ser gente com quem sabe o que isso é. Nuno Crato é capaz de ter alguma razão quando insinua que há professores que não têm os mínimos.