segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

E siga a reconfiguração social


A semana arranca com a 10ª “avaliação” da troika marcada para ter início na Quarta-feira e com rumores que nos dão conta de planos de mais cortes salariais, ainda sem o acordo do Governo que sempre está de acordo, agora no sector privado. Todos aqueles espíritos generosos que caíram no logro de se regozijarem com todas as medidas com a mesma natureza que foram aplicadas aos seus colegas do público têm nova oportunidade de reconfirmarem o que por aqui tenho escrito desde que esta cavalgada contra os direitos de quem trabalha começou a assumir um ritmo insuportável, ainda durante os Governos de José Sócrates, quanto a ir calhando a vez a todos.

Sobre os últimos resultados desta reengenharia social, que vai fazendo o seu caminho com toda a facilidade sobre este trilho de ódios e invejas sociais, já pela mão de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, no I lê-se sobre os quase 77 milhões gastos em contratos de limpeza em menos de dois anos. Embora ainda sem a visão de conjunto apenas proporcionada pelos dados das execuções orçamentais disponibilizadas pela DGO, cuja interpretação e análise comparativa requerem conhecimentos em contabilidade orçamental que não abundam na nossa imprensa económica, esta começa a mostrar, caso a caso, sector a sector, que a redução nas rubricas de “remunerações certas e permanentes” foi largamente compensada com os aumentos verificados nas rubricas de “aquisição de bens e serviços”, isto é, que as reduções salariais e a diminuição do número de efectivos na Administração Pública não tem servido para mais nada do que para colocar serviços anteriormente assegurados por trabalhadores em funções públicas nas mãos daqueles privados cuja proximidade a decisores  de serviços públicos da área geográfica onde desenvolvem as suas actividades lhes foram proporcionando os contratos respectivos. Contratos que decompõem o que antes era o salário de um funcionário público no lucro que recompensa o seu “empreendedorismo” de Estado e na retribuição mínima que estes "empreendedores" pagam aos seus “colaboradores” como forma de maximizar esse lucro. Aquele “estamos em crise, temos que fazer sacrifícios...” ainda vai convencendo.

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