terça-feira, 26 de novembro de 2013

O consenso da bilha


PS, PSD e CDS trazem-no sempre na ponta da língua. Cavaco Silva faz dele um dos principais alvos da sua estranha magistratura de ausência. A comunicação social fala dele como factor de bonança quando é atingido e como factor de desgraça quando não o é. Com tanta gente a entoar a cantiga do consenso, poucos são os portugueses que não o desejem. Quem não sabe música pode perfeitamente aprender a cantarolar de ouvido. E lá se formou mais um daqueles “toda a gente sabe” que proporciona comodidade a quem manda e cada vez mais dificuldades a quem se deixa embalar pela tropa de flautistas encantadores de rafeiros obedientes: “toda a gente sabe” que seria importante que os três partidos que assinaram o memorando da nossa desgraça atingissem um consenso, ainda que o tal consenso signifique ainda mais destruição do país e ainda mais retrocesso social. Felizmente, não foi o caso do consenso da bilha: PSD, CDS e PS, por proposta deste último, chegaram a um consenso quanto à aproximação do preço do gás em garrafa ao preço do gás natural, muito mais barato. Porreiro. Porém, este novíssimo consenso da bilha é filho de um outro, interpretado pelos mesmos três consensualizados, que passaram os últimos trinta anos a privatizar os monopólios naturais que garantem as maiores fortunas do país, porque “toda a gente sabe que os privados funcionam melhor” e porque “toda a gente sabe” que existe uma coisa chamada regulação, que Deus criou para melhor assegurar o interesse público, poupando esse trabalho ingrato aos Governos, que têm matérias muito mais importantes com que preocupar-se. Por exemplo, com os consensos. O consenso da bilha foi mais um. O regulador esqueceu-se de regular. E nada a ver com o facto da regulação nunca regular porra nenhuma. Toda a gente sabe que o regulador regula, aliás, como o próprio nome indica. É consensual.

1 comentário:

fb disse...

PS, PSD e CDS trazem-no sempre na ponta da língua. Cavaco Silva faz dele um dos principais alvos da sua estranha magistratura de ausência. A comunicação social fala dele como factor de bonança quando é atingido e como factor de desgraça quando não o é. Com tanta gente a entoar a cantiga do consenso, poucos são os portugueses que não o desejem. Quem não sabe música pode perfeitamente aprender a cantarolar de ouvido. E lá se formou mais um daqueles “toda a gente sabe” que proporciona comodidade a quem manda e cada vez mais dificuldades a quem se deixa embalar pela tropa de flautistas encantadores de rafeiros obedientes: “toda a gente sabe” que seria importante que os três partidos que assinaram o memorando da nossa desgraça atingissem um consenso, ainda que o tal consenso signifique ainda mais destruição do país e ainda mais retrocesso social. Felizmente, não foi o caso do consenso da bilha: PSD, CDS e PS, por proposta deste último, chegaram a um consenso quanto à aproximação do preço do gás em garrafa ao preço do gás natural, muito mais barato. Porreiro. Porém, este novíssimo consenso da bilha é filho de um outro, interpretado pelos mesmos três consensualizados, que passaram os últimos trinta anos a privatizar os monopólios naturais que garantem as maiores fortunas do país, porque “toda a gente sabe que os privados funcionam melhor” e porque “toda a gente sabe” que existe uma coisa chamada regulação, que Deus criou para melhor assegurar o interesse público, poupando esse trabalho ingrato aos Governos, que têm matérias muito mais importantes com que preocupar-se. Por exemplo, com os consensos. O consenso da bilha foi mais um. O regulador esqueceu-se de regular. E nada a ver com o facto da regulação nunca regular porra nenhuma. Toda a gente sabe que o regulador regula, aliás, como o próprio nome indica. É consensual.