terça-feira, 26 de novembro de 2013

A recuperação será já a seguir


O Banco de Portugal acaba de divulgar o seu relatório da actividade, que pela primeira vez agrega informação relativa aos sectores segurador, dos fundos de pensões e dos fundos de investimento. O documento revela que “o rácio de cobrança duvidosa manteve a trajectória ascendente, registando níveis máximos desde o início da área do euro”. Segundo o documento, No final de Junho, “cerca de 30% das empresas com divida” aos bancos “encontravam-se em situação de incumprimento”. Antes do auge da crise financeira, no Verão de 2008, o rácio de incumprimento das empresas rondava os 15%. Em termos do total do crédito, em Junho “representava cerca de 12% dos empréstimos totais” obtidos pelas empresas. Embora o cenário negativo seja transversal a todos os sectores, as áreas da construção, do imobiliário e do comércio contribuíram mais “significativamente” para a degradação do rácio total de crédito de cobrança duvidosa. O Banco de Portugal alerta para a incerteza sobre a evolução da economia portuguesa como "uma condicionante fundamental da estabilidade e solidez do sector financeiro”, pelo que “constitui um risco importante” para a banca. E admite que as medidas incluídas no OE para 2014 não são favoráveis. Em Outubro, recorde-se, o FMI alertou para a possibilidade de a banca portuguesa poder vir a ter de enfrentar perdas adicionais de 8 mil milhões de euros nos próximos dois anos, perdas essas provocadas pelo crédito malparado das empresas fortemente endividadas, o que tenderá a acentuar-se caso não se verifiquem melhorias das condições económicas e financeiras, uma improbabilidade ainda maior com o reforço da austeridade que a maioria hoje aprovou no Parlamento. 2014 será ainda pior do que 2013, tal como 2013 foi bastante pior do que 2012. Quem diria. E a crise mesmo quase, quase, quase a ir-se embora.

1 comentário:

fb disse...

O Banco de Portugal acaba de divulgar o seu relatório da actividade, que pela primeira vez agrega informação relativa aos sectores segurador, dos fundos de pensões e dos fundos de investimento. O documento revela que “o rácio de cobrança duvidosa manteve a trajectória ascendente, registando níveis máximos desde o início da área do euro”. Segundo o documento, No final de Junho, “cerca de 30% das empresas com divida” aos bancos “encontravam-se em situação de incumprimento”. Antes do auge da crise financeira, no Verão de 2008, o rácio de incumprimento das empresas rondava os 15%. Em termos do total do crédito, em Junho “representava cerca de 12% dos empréstimos totais” obtidos pelas empresas. Embora o cenário negativo seja transversal a todos os sectores, as áreas da construção, do imobiliário e do comércio contribuíram mais “significativamente” para a degradação do rácio total de crédito de cobrança duvidosa. O Banco de Portugal alerta para a incerteza sobre a evolução da economia portuguesa como "uma condicionante fundamental da estabilidade e solidez do sector financeiro”, pelo que “constitui um risco importante” para a banca. E admite que as medidas incluídas no OE para 2014 não são favoráveis. Em Outubro, recorde-se, o FMI alertou para a possibilidade de a banca portuguesa poder vir a ter de enfrentar perdas adicionais de 8 mil milhões de euros nos próximos dois anos, perdas essas provocadas pelo crédito malparado das empresas fortemente endividadas, o que tenderá a acentuar-se caso não se verifiquem melhorias das condições económicas e financeiras, uma improbabilidade ainda maior com o reforço da austeridade que a maioria hoje aprovou no Parlamento. 2014 será ainda pior do que 2013, tal como 2013 foi bastante pior do que 2012. Quem diria. E a crise mesmo quase, quase, quase a ir-se embora.