quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Uma justa homenagem (o caldo entornou)


O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, foi recebido nesta quarta-feira na ilha de Lampedusa com insultos e gritos de "assassinos". A comitiva, onde seguia também a comissária europeia do Interior, Cecilia Malmström, foi insultada durante todo o percurso entre o aeroporto da ilha e o lugar onde estão os corpos de 289 mortos na tragédia da semana passada. Como solução para um problema que existe há vários anos e já custou milhares de vidas, a União Europeia limitou-se a  propor o aumento do patrulhamento costeiro de caça ao imigrante clandestino, mais uma vergonha para uma Europa que cresceu e se desenvolveu com valores de solidariedade e fraternidade. Uma Europa hoje somítica e avarenta em todos os sentidos, que agora definha em todos os sentidos.

4 comentários:

Anónimo disse...

Só não percebi, do artigo, qual é a solução implícita para este problema: será abrir as fronteiras da europa a quem quer que queira entrar? E pagar a todos os que não se conseguirem sustentar ao fim de um tempo?

São só perguntas.

Filipe Tourais disse...

Em tempos, a Europa dos cidadãos prestava auxílio e financiava estes países. Agora, a Europa dos banqueiros limita-se a vender-lhes armas e proíbe qualquer socorro a náufragos encontrados em alto mar. Espero ter respondido à sua questão.

Anónimo disse...

Não respondeu.

Abrem-se as fronteiras e deixa-se entrar toda a gente, e sustenta-se toda a gente que queira entrar, ou não?

É que se a resposta é "sim" (e mesmo que haja razões ainda mais justas do que as que refere - sustentar conflitos armados nesses países, por exemplo) há um problema prático, logístico, não há? Abrem-se todas as fronteiras, ou não, não podem ser uns mais iguais que outros.

(e compreendo o que diz, o mundo ocidental explorou, e agora fecha a torneira; _na prática_ a Europa vai sofrer as consequências de tudo isso de maneiras que a política intelectualóide da esquerda à direita não quer ver nem enfrentar; os livros de história mostram o que se segue)

Filipe Tourais disse...

Não é preciso abrir as fronteiras nem para ter mais humanidade, nem para financiar o desenvolvimento local que proporcionaria condições de vida que estancariam o fenómeno pela raíz. Estas pessoas arriscam por não terem mais nada a perder que uma vida de miséria. É aqui que tem que se actuar e, para além da responsabilidade histórica, os europeus teriam toda a vantagem, quer do ponto de vida estritamente humanitário, quer até do ponto de vista económico, ajudando a criar novos mercados para as exportações europeias.