terça-feira, 8 de outubro de 2013

Um derradeiro apelo ao colaboracionismo militante


Quando o ridículo que é imagem de marca deste Governo chega a cúmulos inimagináveis,  eles mostram que conseguem ser ainda mais ridículos. Quem diria que um dia haveria de ver um Primeiro-ministro de cócoras a rogar publicamente ao seu exército de comentadores que se esforcem ainda mais do que até aqui na sua tarefa de branquear uma governação criminosa? “Pedro Passos Coelho apelou, nesta terça-feira, aos economistas e intervenientes na opinião pública a envolverem-se no debate de forma a "não criar um choque de expectativas, que comprometeria os méritos e os sucessos" do programa de ajustamento financeiro”. Mas que méritos, que sucessos e que ajustamento financeiro? Pedro Passos Coelho e o seu Governo não fizeram mais do que enriquecer grandes grupos económicos e clientelas crónicas do centrão à custa do empobrecimento generalizado de todaa restante população portuguesa, destruir o país e alienar a preço de amigos património que era de todos e passou a ser pertença de um grupo bastante restrito com ligações ao poder. Esta riqueza feita de toda a pobreza que generalizaram, a miséria, a fome e a emigração em massa estão aí para toda a gente ver, por mais que se esforcem os seus amansadores de serviço. Pedro Passos Coelho sabe que a sua hora está a chegar. E que a História, eles esforçam-se para que apenas a História, há-de julgá-los.

Vagamente relacionado: Os portugueses que perderam o emprego durante esta crise e depois conseguiram encontrar outro trabalho tiveram de se sujeitar, em média, a uma redução salarial de 11%, equivalente a 110 euros, revelou esta terça feira o Banco de Portugal, no Boletim Económico de Outono.

Ainda mais vagamente: A nova tabela salarial da função pública, que está a ser preparada pelo Governo, deverá aplicar, em 2014, um novo corte global de cerca de 5% nos salários dos funcionários públicos, isto depois de terem sido postos a trabalhar gratuitamente mais uma hora por dia, isto depois de terem perdido direito a salário nos primeiros três dias de baixa médica, isto depois do salário lhes ter sido cortado entre 3,5 e 10%, isto depois de lhes terem confiscado subsídios de férias e de Natal e isto depois de lhes terem aplicado um corte de entre 3,5 e 5%, ainda no tempo de Sócrates, que também lhes desmantelou as carreiras e aboliu as promoções e as progressões.
 
E tudo a ver com: ver aqui como Miguel Beleza não perdeu tempo a corresponder ao apelo do chefe. A táctica é a do costume, pôr portugueses contra portugueses: Miguel Beleza manifestou-se contra a TSU das viúvas para a seguir defender que há professores e juízes a mais e que há privilégios inadmissíveis nas Regiões Autónomas, onde as pessoas vivem num luxo pago pelos continentais. No ar fica  a indicação de que a TSU das viúvas foi uma medida avançada para desviar as atenções enquanto for necessário e depois deixar cair no momento mais oportuno.

1 comentário:

Francisco Vaz da Silva disse...

Uma correcção.
O corte no tempo do Sócrates (lei 55A/2010) era progressivo e em milhares de casos ultrapassou mesmo os 7% (7,91%, no meu caso. Está lá, escarrapachado, no talão de vencimento, todos os meses desde 2010.
O roubo é mais fundo e não tem parado. Se somar todas as parcelas (inflação, aumento das contribuições e impostos, cortes directos), o meu salário emagreceu mais de 20% em quatro anos.
Parece que ainda não chega, diz o tipo, enquanto anuncia, sem vergonha, que vai surripiar mais umas quantas notas da magra carteira de muitos funcionários públicos em processo de rápido empobrecimento. Como um vulgar e descarado ladrãozeco de estrada.