quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Sinais positivos, diz o Ministro do Desemprego


“É positivo que, pela primeira vez em cinco anos, o desemprego desça, não só face ao mês anterior, como ao ano anterior. Estes são sinais positivos que dão esperança e confiança para continuar a trabalhar para criar mais postos de trabalho, combater o desemprego, promover a contratação, que são as primeiras prioridades do Governo”. Foi assim, e dizendo  que o desemprego é o maior problema da nossa economia e o maior drama social, que o compungido e exultante Ministro do Emprego e Segurança Social reagiu aos números do Eurostat hoje divulgados, que registam um recuo da taxa de desemprego para os16,3%, 864 mil desempregados.

Porém, os sinais positivos de Pedro Mota Soares esbarram noutros mesmo nada positivos, nomeadamente com a autêntica calamidade dos 121.418 portugueses que emigraram no último ano por não encontrarem emprego, 332 por dia, 2334 por semana, 10.118 por mês, naquele que é o recorde de sempre, batendo o anterior máximo histórico registado em 1966. Fazendo as contas, retirando aos 16,3% ó número daqueles que emigraram apenas no último ano, a taxa de desemprego estaria actualmente nos 18,6%, 2,3% acima da alegria de Pedro Mota Soares e 7,2% acima da taxa de desemprego que se verificava quando desmontou da Vespa  para o Governo em meados de 2011. Desde então, foi sempre a perder. Pedro Mota Soares, aquele que reduziu drasticamente as protecções sociais no desemprego e o Rendimento Social de Inserção, teria boas razões para voltar a montar a Vespa e regressar lá para onde nunca devia ter saído. Este inferno de miséria tem a sua assinatura.

Vagamente relacionado: A EDP, em conjunto com a polícia, montou hoje uma operação de corte de electricidade a todos os moradores do bairro do Lagarteiro, no Porto, com dívidas à empresa. O momento foi presenciado pelas câmaras da RTP. Os assistentes sociais dizem que alguns dos moradores que ficaram sem luz estão em situação de verdadeira emergência social. (vídeo aqui)

Ainda mais vagamente: de acordo com o Boletim Estatístico do Emprego Público, divulgado nesta quarta-feira, no final de Junho, o conjunto das administrações públicas empregavam 574.946 trabalhadores, menos 4,7% do que em Junho de 2012. Ao todo, no espaço de um ano, saíram do Estado mais de 28 mil funcionários. Nos últimos 18 meses, a aposentação foi o principal motivo de saída de trabalhadores (58,5% do total das saídas), seguindo-se a caducidade dos contratos a termo (38%).

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