segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Salvem os ricos


O Governo acaba de anunciar a  sua “reforma do IRC”: a taxa vai descer no próximo ano de 25% para 23% e continuará a ser reduzida até aos 17 ou 19% em 2016. Em entrevista à Lusa, ontem, o Bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas explicou que isto não é nenhuma reforma do IRC e sim uma alteração que apenas irá beneficiar os grandes grupos económicos à custa das PME, que irão pagar mais imposto. Os grandes a pagar menos, os pequenos a pagar mais, o salário mínimo sem actualizações pelo terceiro ano consecutivo, cortes salariais generalizados na função pública tornarão definitivo o que era provisório, os impostos sobre os rendimentos do trabalho novamente agravados, a TSU sobre as reformas da Administração Pública e sobre as pensões de sobrevivência. Os pequenos a pagar e cada vez mais pequenos, os grandes a enriquecer e cada vez mais donos de tudo. A reconfiguração social sobre a qual escrevi aqui é a marca desta governação criminosa.

1 comentário:

Anónimo disse...

Mais de 90% da receita do IRC provém das grandes empresas nacionais (banca, telecomunicações, energia e, em geral, as que formam o índice do PSI 20). Mais de 90 % das empresas portuguesas ou não pagam IRC ou pagam valores simbólicos e residuais. Os previstos abaixamentos da taxa do IRC nos próximos anos beneficiarão fundamentalmente aquelas grandes empresas, algumas delas beneficiando de posições dominantes ou de quase monopólio na economia. Sobre a manipulação dos resultados operada coma criação de sociedades holding sedeadas na Holanda e noutras circunscrições europeias, nada se faz. O processo é simples: as holdings veiculam os empréstimos para as filiais, debitando a estas taxas de juro superiores às taxas pagas aos bancos, desnatando assim os resultados dessas filiais.