quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Roubar, mas com "justiça"


O Diário Económico avança esta manhã que o Governo irá cortar 15% nas subvenções de ex-políticos, um corte de 1,35 milhões de euros. Já o Correio da Manhã avança que, depois de pôr os trabalhadores em funções públicas a trabalhar gratuitamente mais uma hora diariamente,  o Governo irá agora cortar 10% os salários aos funcionários públicos que recebam acima de 600 euros, uma medida que representará um corte na despesa de 445 milhões de euros. A primeira medida é servida como justificação moral da segunda, apesar da discrepância dos valores em causa e de as subvenções dos políticos corresponderem a uma retribuição injustificável e sem qualquer contrapartida e de os salários dos trabalhadores em funções públicas corresponderem a um direito que é a retribuição paga pelo seu trabalho.
A confirmarem-se as duas notícias, teremos, portanto, por um lado, os moralistas do costume a rebentar de contentes com a distribuição de sacrifícios sugerida pela primeira medida e, por outro, os funcionários públicos a trabalhar mais uma hora todos os dias e a receber o equivalente ao que receberiam anteriormente se trabalhassem menos uma hora e um quarto. "Há tanta gente que nem sequer salário tem que chegue para comer", dirão, compungidos,  todos os moralistas que aplaudem mais um roubo que não dá um cêntimo a quem não ganha para comer e faz aumentaro número de portugueses nessa situação. Os roubos à moralista são assim, cheios de "justiça".

1 comentário:

Anónimo disse...

E que se saiba o Vara e outros continuam a receber a reforma por inteiro de topo de carreira, que recebem desde antes dos 65 anos ou 40 de serviço, e apesar de só terem estado na CGD 2 anos sem chegar ao topo da dita cuja (autor, confirme lá por favor).

Nem é por umas dezenas de milhões (?), mas a moral faz-se em coisas como estas.


Mas o povo é quem mais ordena: em todas as eleições, psd cds ps e abstenção passam os 8 milhões, portanto a imensa maioria tem o que quer.