segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Por falar em becos sem saída

De acordo com o barómetro i/Pitagórica do mês de Outubro, se as eleições fossem hoje, o PS ganharia com 36,7% dos votos. Confirma-se toda a razão de António José Seguro em não dizer uma palavra contra a austeridade que está a destruir o país. Os portugueses contentam-se com a alteração do partido que a conduzirá e com a mudança do nome do Primeiro-ministro que será a sua nova cara.
Do lado das alternativas, o barómetro desmente aquele que a seguir à pesada derrota nas autárquicas disse que não havia motivos para alterar a liderança e a estratégia do Bloco de Esquerda. É o partido que mais cai, 2,1%, para  6,6%, uma queda de valor equivalente à subida dos socialistas. O PCP sobe uns ligeiros 0,1%, para os 13,2%. Somando PCP e BE obtemos 19,8%, bastante acima dos 10% de mandatos parlamentares que garantem o mínimo de deputados necessário para requerer a fiscalização sucessiva de uma norma legislativa.
Menos tranquilizadora é a soma dos três partidos do chamado "arco da governabilidade", que poderá rapidamente transformar-se no arco de uma revisão constitucional que torne qualquer aberração legislativa conforme com a lei fundamental: PS (36,7%), PSD 23,7%)e CDS (8,6%, a subir 0,5%) somam69%. Se as eleições fossem hoje, os três partidos do nosso rotativismo teriam votos suficientes inclusivamente para reduzir o número de deputados da AR, alterar a lei eleitoral e introduzir os círculos uninominais ou qualquer outra com o mesmo efeito de varrer do Parlamento Bloco de Esquerda e PCP. Os dois partidos da apesar de tudo esquerda de palavra continuam a adiar a convergência, o PCP  aprisionado aos seus dogmas e o Bloco a brincar às causas fracturantes e às lideranças bicéfalas, num momento em que os portugueses também brincam ao "os políticos são todos iguais" e ao "não há alternativas". Tudo o que venha a acontecer corresponderá a esta conjugação de vontades. E de falta delas.

1 comentário:

josé manuel faria disse...

Boa análise em particular ao que escreve sobre o BE.