sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Paulo Morais, o justiceiro das galgas ao paladar


Paulo Morais, o imaculado transparente que diz umas coisas sobre corrupção, anteontem lembrou-se de dizer que "todo o espectro político, da esquerda à direita, é subserviente a Eduardo dos Santos e aos seus correligionários". E é mentira. Paulo Morais, um homem informado que lê jornais e acompanha os trabalhos parlamentares, está fartinho de saber que o Bloco de Esquerda há muito que se destaca da subserviência que envergonha os restantes partidos com representação parlamentar com um trabalho persistente e já com longos anos de denúncia quer dos crimes do regime angolano, quer das suspeitíssimas ligações que algumas das suas mais destacadas figuras têm mantido com os governos nacionais que, entre outras facilidades concedidas, sucessivamente lhes têm vendido património público a preços de amigo. Pior do que mentir, Paulo Morais mentiu consciente e deliberadamente.

Com que objectivo? O tema é política, o objectivo será também político. A desinformação favorece a desconfiança, a desconfiança gera abstencionismo e o abstencionismo é o seguro de vida do rotativismo que tem interpretado a corrupção contra a qual Paulo Morais alegadamente trabalha. Inconsequência, então? Também não. Paulo Morais conhece bem a sua plateia e sabe que a velocidade de circulação de artigos que o mencionem aumenta exponencialmente se lhe juntar o discurso anti-partidos que tanto agrada a quem o lê e ouve. Paulo Morais poderia juntar os seus esforços ao do partido que diz ser - e objectivamente não é - igual aos outros na subserviência ao regime angolano, esse partido também tem feito o que as suas votações lhe têm permitido no combate à corrupção, mas não seria a mesma coisa. Paulo Morais prefere não correr o risco de ser rotulado de "perigoso radical de esquerda", péssimo para um ex-militante laranja, e trabalhar para aquela imagem do justiceiro que chegará para nos salvar montado num cavalo branco numa manhã de nevoeiro. Enquanto essa manhã não se ponha a jeito para acontecer, quanto mais corrupção, tanto melhor para  Paulo Morais. Afinal, o seu protagonismo depende dela. É um excelente contador de histórias. Algumas até são verdadeiras.


[actualizado a 9/4/2015]

6 comentários:

Anónimo disse...

«No outro dia, um amigo de Lisboa dizia-me que o Paulo Morais é o Pacheco Pereira do PSD Norte. Errado. Por muito que não aprecie o Pacheco Pereira, nada me impede de lhe reconhecer uma enorme cultura geral.



Alguns pensam que ele é jurista. Não, embora quem o ouça falar seja levado a pensar semelhante. É licenciado em Matemática (ramo Matemática Aplicada) e professor universitário (pelo menos na Lusófona). Foi (não sei se ainda é) militante do PSD e foi vice-presidente da Câmara Municipal do Porto com Rui Rio. Quando Rio o descartou da lista, tornou-se presença habitual na comunicação social graças a ter afirmado umas coisas sobre corrupção que, depois de investigadas (aqui entrou a famosa Maria José Morgado), deram em nada. Mais tarde, alegadamente, andou convencido que seria convidado por Passos Coelho (que apoiou) a candidato a deputado pelo Porto ou mesmo cabeça de lista por Viana do Castelo. Não foi. Coincidentemente, poucos meses depois, lançou um ataque forte, bem forte, sobre o Parlamento. Afirmando que a AR era um "centro de corrupção". Recentemente, escolheu como alvo Luís Filipe Menezes. Entende Paulo Morais que LFM deveria ser proibido de fazer campanha eleitoral no Porto, como se pode ler no Público, "Paulo Morais, acusa Menezes de «reincidir na legalidade decretada pelos tribunais ao continuar a fazer campanha eleitoral como candidato do PSD à Câmara do Porto». Uma vez mais, este matemático de formação entra pelo direito como se fosse especialista na matéria.



Quando vejo Paulo Morais na televisão ou nos jornais fico com a ideia que não conhece as fábulas de Esopo, em especial a do menino pastor e o lobo. É uma pena. Conhecendo, certamente deixaria de gritar tanto e de evitar cair no ridículo. Mesmo para um matemático aparentado de jurista.»

Anónimo disse...

Paulo Morais foi colaborante com todos aqueles que agora acusa, até que Rui Rio o afastou. Depois de ums tempos de "travessia do deserto", ressure sob a capa de "Vingador"... As suas denúncias têm acolhimento e começam a espalhar-se pelas redes sociais... Está "lançado" mas... o que quer Paulo Morais...???

Teresa Santos disse...

Sou pelo debate de ideias, opiniões, etc, mas...comentários anónimos?
Pessoas que criticam na obscuridade?

Para mim não têm credibilidade.

Assim se mostra o país que temos!

Anónimo disse...

É natural ouvir críticas da oposição: muitas serão legítimas, mas outras poderão ser pura demagogia eleitoral, mas prefiro e é mais instrutivo ouvir as acusações quem vêm de dentro da máquina diabólica do poder, pois essas acusações até me merecem maior crédito, como são as proferidas pelo Prof. Paulo Morais (do PSD), pelo Medina Carreira (do PS) ou até do Dr. Mário Soares (do PS): todos eles ligados aos partidos do "arco do poder" e com responsabilidades na situação calamitosa do país. Não me interessa o motivo da desavença que prova a veracidade do ditado popular que diz: "ZANGAM-SE AS COMADRES, SABE-SE AS VERDADES.

Zé da Burra o Alentejano
(zedaburra"sapo.pt)

Anónimo disse...

Medina Carreira é um demagogo. Há quem goste.

Rui Tojal disse...

Teresa Santos, concordo consigo na falta de credibilidade do anonimato. Mas eu de anónimo não tenho nada, mas "não vou à bola" com o sr. Paulo Morais. Por razões que para explicar teria que me alongar, e hoje estou com preguiça ;)
Mas neste artigo do meu blogue http://www.economia-e-sociedade.blogspot.com.br/2014/10/as-verdadeiras-causas-da-crise.html pode ver algumas dessas razões.
Aliás, Paulo Morais tem um discurso idêntico ao de Medina Carreira, Gomes Ferreira, Marques Mendes e outros "picaretas falantes" que têm andando a fazer o jogo deste desGoverno que realizou ao serviço das troikas o maior saque de que há memória recente no nosso país.
A diferença é que Paulo Morais parece tem planos para formar um partido e está ligado a uma grande associação internacional, que "por acaso" nunca ataca os grandes interesses mundiais - como os do recente Swissleaks -, nem a verdadeira causa da crise europeia - os interesses dos ricos do norte - ataca sim os pequenos/médios interesses dos corruptos nacionais.
Entendeu? Espero ter ajudado a clarificar. Sabe, nem tudo que reluz é ouro.