quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Passámos, viva, viva, passámos!


Com a habitual pompa e circunstância, Paulo Portas e uma ajudante acabam de anunciar o resultado não de uma, de duas avaliações regulares dos programas de destruição do país acordados com a troika. Tal como em todas as anteriores, a avaliação foi positiva, apesar das derrapagens orçamentais e do cataclismo económico e social que produziram. Tal como em todas as anteriores, o simulacro de negociação do tecto para o défice acabou numa imposição prontamente aceite pelo Governo português de uma sua redução  dos 5,5%, que continuam a vigorar para 2013 apesar dos 7,1% verificados no primeiro semestre, para 4%.

Nada de detalhar demasiado os cortes brutais – agora rebaptizados de "poupanças" – que têm em mente para obedecerem à imposição dos 4% de défice. Isso não é para agora. Para hoje, Paulo Portas e Maria Aldrabice Albuquerque reservaram uma coisa muito mais gira: chutaram para o ar uma nova previsão: agora vamos crescer mais 0,2% (0,8%) do que na anterior previsão  (0,6%) e o desemprego será 0,7% menor do que anteriormente previsto, caindo para uns fantásticos 17,7%.

E toda esta recuperação graças aos "visíveis sinais de melhoria do clima económico no segundo e, mesmo, no terceiro trimestre" das palavras de Paulo Portas, que não agradeceu ao Tribunal Constitucional os chumbos que, ao atenuarem a austeridade, puseram o Governo a cantar vitória e a dizer que foram as exportações, o turismo e o seu rigor e que vamos regressar aos mercados, embora, detalhe sem importância, os juros estejam como estavam antes deste disparate começar, acima dos 7%. A nossa credibilidade aumentou imenso. Já aumentou pelo menos nove vezes. Hoje foram mais duas, a oitava e a nona avaliação. Qual delas terá sido a melhor? Nem isso disseram. A troika auto-avaliou-se. E foi tudo.


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