sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Os imprescindíveis



Maria Luís Albuquerque diz que o seu Governo tem um programa de rescisões amigáveis para assistentes operacionais e para assistentes técnicos, diz que o seu Governo está a preparar um programa de rescisões amigáveis para professores  e que agora irá pensar num programa de rescisões amigáveis para outras categorias profissionais mais qualificadas, referindo-se especificamente aos técnicos superiores, embora deixando no ar um objectivo mais vasto: um programa de rescisões amigáveis para médicos, um programa de rescisões amigáveis para enfermeiros, um programa de rescisões amigáveis para militares, um programa de rescisões amigáveis para investigadores e professores universitários, outro ainda para juízes, em especial para os do Tribunal Constitucional. Está toda a gente a mais. Menos eles próprios. Por isso, ao contrário dos restantes, o plano de rescisão que os imprescindíveis vão “desenhando”para si próprios tem cada vez menos de “amigável”. As luminárias estão a descuidar-se. Porque hão-de sair. A bem ou a mal. Ainda vão a tempo de poderem escolher.

Vagamente relacionado: o banco BIC, que comprou o BPN por 40 milhões de euros depois do Governo lhe injectar um valor (600 milhões) equivalente aos cortes salariais que reservou para toda a Administração Pública em 2014 (640 milhões), usou o dinheiro do próprio BPN para realizar a transacção? Ler aqui.


Ainda mais vagamente: Segundo um documento do IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, baseado em dados da Comissão Europeia, nos últimos cinco anos o ritmo de quebra do consumo privado em Portugal foi quase o dobro da contracção do resto da economia. Desde 2007, o consumo das famílias caiu 9,1% de forma acumulada, contra uma queda do PIB de 5,7%. A economia portuguesa viu ‘evaporarem-se’ neste período cerca de 15 mil milhões de euros em consumo privado. Estes valores contrastam com os dos restantes países intervencionados pela troika. Na Irlanda e Grécia, a queda do consumo e do PIB seguiu ao mesmo ritmo, e em Espanha os gastos reduziram-se ligeiramente acima do produto. Itália, apesar de não resgatada, também entra na comparação: o consumo caiu abaixo da economia.

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