domingo, 13 de outubro de 2013

Os delinquentes



O Governo, o primeiro-ministro, o Presidente da República, a troika e os mercados. O antigo Presidente da República, Mário Soares, não poupa ninguém nas críticas. Em entrevista à TSF e ao Diário de Notícias, divulgada neste domingo, Soares diz que alguns membros do Governo são “delinquentes” e “têm que ser julgados, depois de saírem do poder”. “Este Governo não tem rei nem roque, nem sabe o que quer, nem sabe para onde vai”, resume Soares, censurando um Governo que diz estar “moribundo” e que quer “acabar com o Estado social”. E acredita que os responsáveis da governação “vão cair muito antes” de Junho, altura em que está previsto o fim do programa de assistência da troika de credores internacionais. “É inevitável. Antes que o ódio do povo se torne violento.” Soares acredita que “uma parte do Governo, não são todos, claro, é um Governo de delinquentes” e defende que “estes senhores têm de ser julgados, depois de saírem do poder”.
 
Vagamente relacionado: A administração da RTP propôs ao Governo o aumento do tempo de publicidade nos seus canais televisivos para compensar o fim da indemnização compensatória, que entra em vigor em 2014. Mas o executivo recusou a proposta, argumentando com as actuais dificuldades do mercado publicitário e os efeitos que tal aumento poderia ter nos canais privados, mas também nos restantes sectores da imprensa e da rádio. Deste modo, todo o modelo publicitário em vigor na televisão pública se mantém inalterado no próximo ano. O Governo vai aumentar a taxa de audiovisual paga por quase todas as famílias na factura da electricidade para financiar o serviço público de televisão. A decisão será anunciada proximamentee ultrapassará os 12%.

Ainda mais vagamente: O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, repudiou neste sábado as críticas ao Tribunal Constitucional feitas pela directora do FMI e pelo presidente da Comissão Europeia, defendendo que deve haver “um assomo patriótico” na defesa das instituições da democracia portuguesa. “Repudio isso de uma forma frontal. Temos que ter um assomo patriótico das decisões que são tomadas, criticá-las, quando for caso disso, com certeza, ameaçá-las é outra coisa”, afirmou. “Eu senti um apelo patriótico, não por causa da decisão A ou da decisão B. É inadmissível que a gente não defenda a nossa democracia, as nossas instituições.” “A maneira como se fala do Tribunal Constitucional é uma coisa de uma gravidade extrema.” Referindo-se às críticas ao Tribunal Constitucional, afirmou: “esta barragem já vai pelo doutor Durão Barroso, que nos manda ter juízo, vai pela senhora Lagarde, que não é capaz de dizer isso sobre o equivalente ao Tribunal Constitucional em França, e ninguém o diz na Alemanha”. Para Jorge Sampaio, o Tribunal Constitucional “tem dado provas, em largos anos, de uma jurisprudência que tem formatado a vida democrática e constitucional portuguesa” e é “uma peça essencial, sobretudo quando há cortes muito sérios em relação a princípios fundamentais, que têm que ser analisados pela instância que se criou para isso, princípios de justiça, da proporcionalidade”. “As pessoas que dizem ‘reveja-se, faça-se’, não dizem onde. Porque são princípios fundamentais que estão em todas [as Constituições]”, afirmou. Na entrevista à SIC Notícias, Sampaio criticou ainda os cortes nas pensões de sobrevivência e, sobre o caso Machete, considera que deve ser resolvido pelo “tríptico” composto pelo próprio ministro, o Presidente da República e o primeiro-ministro.

E nada a ver com: Em menos de três anos, o Governo já diminuiu o rendimento dos portugueses em mais de 14,4 mil milhões de euros. Com a persistência da austeridade e a aplicação de novos cortes, entre 2011 e o final de 2014, a perda de rendimento dos portugueses será três vezes maior do que a redução do PIB nesse período. Mesmo com a reposição do pagamento dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e aos pensionistas, no próximo ano a quebra no rendimento será superior a 4,9 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde junho de 2011. Nem em 2012, quando os subsídios de férias e de Natal foram extorquidos aos funcionários públicos, a quebra de rendimentos foi tão elevada: nesse ano, a redução nos rendimentos ascendeu a 4,7 mil milhões de euros.

1 comentário:

fb disse...

O Governo, o primeiro-ministro, o Presidente da República, a troika e os mercados. O antigo Presidente da República, Mário Soares, não poupa ninguém nas críticas. Em entrevista à TSF e ao Diário de Notícias, divulgada neste domingo, Soares diz que alguns membros do Governo são “delinquentes” e “têm que ser julgados, depois de saírem do poder”. “Este Governo não tem rei nem roque, nem sabe o que quer, nem sabe para onde vai”, resume Soares, censurando um Governo que diz estar “moribundo” e que quer “acabar com o Estado social”. E acredita que os responsáveis da governação “vão cair muito antes” de Junho, altura em que está previsto o fim do programa de assistência da troika de credores internacionais. “É inevitável. Antes que o ódio do povo se torne violento.” Soares acredita que “uma parte do Governo, não são todos, claro, é um Governo de delinquentes” e defende que “estes senhores têm de ser julgados, depois de saírem do poder”.

Vagamente relacionado: A administração da RTP propôs ao Governo o aumento do tempo de publicidade nos seus canais televisivos para compensar o fim da indemnização compensatória, que entra em vigor em 2014. Mas o executivo recusou a proposta, argumentando com as actuais dificuldades do mercado publicitário e os efeitos que tal aumento poderia ter nos canais privados, mas também nos restantes sectores da imprensa e da rádio. Deste modo, todo o modelo publicitário em vigor na televisão pública se mantém inalterado no próximo ano.