sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O silêncio também fala


 
«O PS vai repetir a proposta que fez há um ano à presidente da Assembleia da República, para que seja antecipado o calendário de debate do Orçamento do Estado (OE) para 2014 de forma a dar tempo ao Presidente da República para, querendo, pedir a fiscalização preventiva da constitucionalidade do documento. "O país tem muito a ganhar em ter, no dia 1 de Janeiro, um Orçamento do Estado que entre em vigor descontaminado de normas inconstitucionais", afirmou ao PÚBLICO o secretário-geral do PS, António José Seguro.» Óptimo. Se não tivesse dito só isto.

Passaram três dias desde que o Governo decretou mais miséria aos portugueses e anunciou mais um ano de destruição da economia do país, três dias em que o país ficou à espera de ouvir de António José Seguro o seu julgamento político do Orçamento de Estado. O silêncio notou-se. Começava a pesar. Seguro tinha que dizer qualquer coisita para não ficar calado. E ao terceiro dia, fala para reafirmar pelo silêncio a sua indisponibilidade para emitir qualquer juízo que possa vir a comprometê-lo num futuro não muito distante, quando os portugueses lhe derem o poder para suceder a Pedro Passos Coelho aos comandos da equipa que se limita a cumprir as ordens que chegam de Bruxelas e de Berlim. E haveria tanto a dizer.

Das declarações de hoje de António José Seguro nada retiramos sobre qualquer vontade sua em romper com essas imposições. Delas podemos apenas retirar a sua preocupação quanto à conformidade constitucional do OE 2014. E esta conformidade constitucional pode conseguir-se de duas maneiras: ou limitando a brutalidade orçamental ao perímetro constitucional,  e sobre isso falaria um António José Seguro que criticasse o Orçamento e se comprometesse a fazer diferente, ou alargando o perímetro constitucional à brutalidade orçamental pretendida. A abordagem legalista do convidado da Bilderberg deste ano é mais um indício de que se inclina para a segunda opção. Registo com apreensão que ganha ainda mais consistência a ameaça sobre a qual escrevi mais detalhadamente aqui.

Sem comentários: