segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O segundo resgate


O ministro da Economia, António Pires de Lima, garantiu nesta segunda-feira em entrevista à Reuters que o Governo quer negociar um segundo resgate com Bruxelas e que o executivo conta começar as negociações deste programa nos primeiros meses de 2014. Chamou-lhe “plano cautelar”, tal como chama “ajustamento” à destruição do país e “poupanças” aos roubos sucessivos do seu Governo. A questão semântica do costume. Senão, vejamos: qual é coisa, qual é ela, um empréstimo que tem associado um pacote de medidas de mais austeridade? Não, não é o regresso aos mercados. E também não é o regresso ao crescimento. É o prémio de um povo mansinho que deixou que andassem três anos a brincar com o seu país.

Vagamente relacionado: Francisco Louçã começou a sua intervenção na conferência “O Estado e a Economia”, promovida pela Antena 1 e pelo Diário Económico, a questionar se “a continuação de um resgate sob a forma de um programa cautelar é conveniente, se é uma estratégia de crescimento, e, se for, se é sustentada”. Respondeu logo que não e apresentou depois vários dados estatísticos para basear a sua opinião. “Todos os anos, a queda do Produto [Interno Bruto, PIB] foi muito mais acentuada do que o que estava previsto em função da estratégia de consolidação”, analisou, apresentando as expectativas de evolução do PIB feitas no memorando e as que efectivamente se verificaram. Na evolução do desemprego, “os resultados são ainda mais impressionantes”. “No programa da troika, o agravamento do desemprego foi mais do dobro do que se tinha previsto antes de se iniciar este programa”, constatou, recordando que para 2012, por exemplo, estava previsto que o desemprego crescesse um ponto percentual e ele subiu 4,2 pontos.

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