quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O retrato do empresário tuga, por António Saraiva


António Saraiva, Presidente da Confederação da Indústria (CIP) defende que “o limite admissível” para o aumento da idade da reforma são os 66 anos para, logo a seguir, pedinchar ao Governo contrapartidas a conceder às empresas a título de compensação pela penalização que a medida tem sobre a renovação dos seus quadros. “Compreendemos a necessidade de garantir a sustentabilidade da Segurança Social”, realçou à saída da reunião da Comissão Permanente de Concertação Social.

Reescrevamos o parágrafo anterior. António Saraiva, o representante patronal da indústria portuguesa, valoriza ou desvaloriza tanto a competitividade do sector que representa ao ponto de vender publicamente o apoio a um Governo que tem a irresponsabilidade de implementar uma medida que prejudica essa competitividade a troco de uns dinheiritos que sempre dão jeito. É o Governo que tem o poder de os dar, é para o Governo que vai todo o seu apoio. António Saraiva compreende a necessidade de garantir a sustentabilidade da Segurança Social desde que ela não passe pelo aumento do salário mínimo, sem actualização desde 2010, tal como os descontos para a Segurança Social que sobre ele são calculados.

E ficamos esclarecidos. A competitividade dos industriais portugueses é igual à competitividade de Pedro Passos Coelho e esta, por sua vez, é igual à do seu antecessor, que em 2011 rasgou o acordo de concertação social assinado em 2006 e não actualizou o salário mínimo para os 500 euros, tal como tinha ficado assinado. Esta "competitividade" é feita de exploração do trabalho, de salários de miséria, de uns subsidiozitos, de favores fiscais, da ruptura financeira da Segurança Social e do desmantelamento dos serviços públicos para os quais tanta competitividade faz questão em contribuir o menos possível, é feita da destruição do país causada por tanta ganância. Ai querem pôr os avôs e as avós de todo o país a trabalhar mais um ano? Ó pá, a gente diz que sim, mas vocês têm que nos dar qualquer coisita. E o pior é que dão mesmo.

O Governo acaba de anunciar o aumento da idade mínima para a aposentação dos 65 para os 66 anos. Com uma taxa de desemprego jovem acima dos 40%. Com a geração mais qualificada de sempre a emigrar em massa. Com a taxa de natalidade em mínimos históricos. Para equilibrar uma Segurança Social que assim se desiquilibra cada vez mais, todos os dias.

1 comentário:

fb disse...

António Saraiva, Presidente da Confederação da Indústria (CIP) defende que “o limite admissível” para o aumento da idade da reforma são os 66 anos para, logo a seguir, pedinchar ao Governo contrapartidas a conceder às empresas a título de compensação pela penalização que a medida tem sobre a renovação dos seus quadros. “Compreendemos a necessidade de garantir a sustentabilidade da Segurança Social”, realçou à saída da reunião da Comissão Permanente de Concertação Social.