segunda-feira, 14 de outubro de 2013

As contas do rotativismo


É mais uma daquelas heranças de José Sócrates que Pedro Passos Coelho quer transmitir à sucessão tal e qual a recebeu para mostrar que o centrão tem uma clientela que lhe é transversal e, como tal,  o sucesso dos seus negócios com o Estado não dependerá de eleições enquanto os portugueses sustentarem o rotativismo que perdura desde 1976. O Tribunal de Contas (TC) contesta que o Estado português continue a pagar milhões de euros por um “acordo de cooperação” com o Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, sem haver qualquer justificação económica para tal e, ainda mais, quando existem recursos suficientes para tratar os utentes no sistema público. Se os doentes enviados para aquela unidade tivessem sido tratados em hospitais públicos, em apenas três anos poderiam ter-se poupado quase 30 milhões de euros, refere. O TC já tinha recomendado mudanças tanto ao Ministério da Saúde como ao das Finanças, mas dois anos depois nada se alterou, refere a auditoria de seguimento das recomendações do relatório de 2011, tornada pública nesta segunda-feira. O Tribunal de Contas reitera que não existe qualquer justificação para o Estado continuar a pagar por cuidados de saúde naquela unidade. “A celebração dos acordos de cooperação continua a não ser sustentada em estudos de análise custo-benefício ou em quaisquer outros estudos económicos”, lê-se no documento.

Sem comentários: