quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A História da nossa vergonha

Um documento secreto da NSA, obtido pelo analista informático Edward Snowden e divulgado pelo jornal espanhol El Mundo, mostra que os serviços secretos americanos dividem os países que consideram aliados em quatro grupos, consoante as suas relações de proximidade, confiança e capacidade dos respectivos serviços de espionagem. No primeiro lote estão apenas quatro países: Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido, quatro países que partilham com os Estados Unidos os proveitos da hegemonia militar e domínio sobre o resto do mundo, que conseguem através da NATO. Num segundo nível de colaboração, composto por 20 países que se prestam ao papel de garantir aos EUA "benefícios reais" de eventuais colaborações para a partilha de informação, está Portugal. Um dia, quando se escrever a História do imperialismo americano, as gerações futuras hão-de perguntar-se como é que um país que deu novos mundos ao mundo acabou assim, sempre de cócoras, um serviçal de uma potência que promove jogos de guerra e atropelos constantes aos direitos humanos, o peão de um xadrez imundo jogado em vários tabuleiros, do qual, ainda por cima, não retiramos qualquer proveito que se veja. Num momento de embotamento em que a maioria dos portugueses não reage sequer ao tudo o que o poder político tem feito com as suas vidas, estamos a deixar também escrever a História da nossa vergonha. Sobre as páginas dessa mesma indiferença.

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