terça-feira, 29 de outubro de 2013

A ditadura dos cocós


O Ministério da Agricultura prepara-se para fazer aprovar um diploma legal sobre animais de companhia em que limita a dois o número de cães permitidos por apartamento. No caso dos gatos, esse número sobe para quatro, não sendo porém permitido ter mais do que quatro animais por fogo, a não ser que haja um quintal ou que os bichos morem numa quinta. O Estado que nada faz para tributar imóveis devolutos de forma a combater a desertificação dos centros das grandes cidades está prestes a bater-nos à porta para que deixemos de poder ter animais acima das nossas possibilidades. A Cristas teve uma ideia. É deixá-la entrar e certificar-se que está tudo limpinho. É a ditadura dos cocós. Quantas pessoas serão permitidas por casa e por divisão? Qual será o número máximo de cães raivosos permitido por Governo?

 


Vagamente relacionado: «(…) Tirando os fretes que fez no "Diário de Notícias" e a sua curta passagem pelo Instituto Camões, onde ninguém sabe muito bem o que andou a fazer, ninguém lhe conhecia nada no currículo que o levasse para o lugar. Em Julho de 2013, Francisco Almeida Leite foi retirado de secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros. Agora, foi proposto pelo governo como presidente da Sofid (Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento), 60% detida pelo Estado. Tirando os fretes que fez no "Diário de Notícias", a sua curta passagem pelo Instituto Camões e o seu brevíssimo mandato como secretário de Estado, ninguém lhe conhecia nada no currículo que o levasse para o lugar. Porque tudo tem limites, a CRESAP (Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública), com poderes meramente consultivos, chumbou o seu nome. Parece que o rapaz, sendo especialista em fretes, sabe pouco de finanças. Mas o governo, que não desiste facilmente e não se incomoda com o vexame público, propôs o seu nome para vogal, que também é capaz de dar um rendimento confortável que não obrigue Francisco Almeida Leite a voltar a trabalhar "Guia TV Cabo". A CRESAP permitiu, desde que não toque em questões financeiras e se dedique apenas às relações públicas. Um boy-porteiro, portanto. Francisco Almeida Leite desafia o princípio de Peter, segundo o qual todo o funcionário tende a ser promovido até ao nível da sua incompetência. Ele será promovido até parecer que é competente. Porque de tantas nomeações, o seu currículo acabará por se assemelhar ao de quem esteja adequado para o lugar. Para o PSD o Estado é um cachorro quente. Cachorro que, como sentenciava o mesmíssimo autor do principio de Peter, é o mais fiel de todos: alimenta quem o morde. E, neste caso, alimenta quem tanto maldiz o seu peso, a sua ineficiência e todas as suas desvantagens em relação ao privado para onde, curiosamente, esta gente não quer ou não consegue regressar. Os apoiantes de Passos enchem a boca com a reforma de Estado. O próprio primeiro-ministro, sempre severo com os outros e amigo do seu amigo com o nosso dinheiro, há muito que espera que Portas lhe apresente o guião da dita. Para começar, tenho um guião muito simples, que ocupa menos do que uma linha: não usar o Estado para pagar favores. Uma coisa simples, que depende do topo do governo, que aumentaria exponencialmente a eficácia do Estado e que reduziria, através de gestores competentes, drasticamente o desperdício de dinheiro público.» (Daniel Oliveira)
 
Ainda mais vagamente: Segundo a proposta de alteração ao diploma da convergência das pensões entregue nesta terça-feira pelos deputados da maioria, , o corte de 10% nas actuais pensões de sobrevivência pagas pela Caixa Geral de Aposentações vai começar nos 600 euros em vez de começar nos 400 e picos. E uma inconstitucionalidade aos 600 é tão inconstitucional como uma inconstitucionalidade aos 400, porque a inconstitucionalidade não depende do valor. Enfim. Piruetas de uma maioria em fim de vida apostada em dar ares de flexibilidade.

1 comentário:

Anónimo disse...

Caro Filipe Tourais
Presumo que não tenha nenhum cão ou gato, senão sabia
(ou devia saber) que já existe uma lei parecida com a que está
a falar. Pelo que li do seu post, a unica diference é que a lei
existente diz que para se ter mais de 4 animais (se forem todos
cães) ou ter mais de 5 animais (sendo 2 cães e 3 gatos) tem
que haver uma vistoria pela Junta de Freguesia? para ver se
tem condições para ter mais animais em casa. Lei com a qual
eu concordo btw, e acho muito apropriada.