sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A decadência Nobel


Já lá vai o tempo em que o Nobel da paz tinha por função abrir horizontes de esperança aos desesperados dando visibilidade e reconhecimento às suas causas. Depois de, no ano passado, o prémio ter sido atribuído à União Europeia, o laureado deste ano é uma organização, a Organização para a Proibição das Armas Químicas,  que integra todos os países que ratificaram a Convenção de 1993. De fora ficaram nomes e causas incómodas como os de Malala Yousafzai e a sua luta pela alfabetização das mulheres no mundo árabe, o de Bradley Manning e a sua condenação a 35 anos de prisão pelo contributo decisivo que deu para  a retirada das tropas norte-americanas do Iraque ou o do ginecologista Denis Mukwege e a causa das mulheres violadas em África e culpadas pela sua própria violação. Com tanta falta de coragem do Comité Nobel, podemos dar-nos por satisfeitos por não se terem decidido por Vladimir Putin. O nome do mafioso ditador russo figurava entre os candidatos deste ano.

3 comentários:

fb disse...

Já lá vai o tempo em que o Nobel da paz tinha por função abrir horizontes de esperança aos desesperados dando visibilidade e reconhecimento às suas causas. Depois de, no ano passado, o prémio ter sido atribuído à União Europeia, o laureado deste ano é uma organização, a Organização para a Proibição das Armas Químicas, que integra todos os países que ratificaram a Convenção de 1993. De fora ficaram nomes e causas incómodas como os de Malala Yousafzai e a sua luta pela alfabetização das mulheres no mundo árabe, o de Bradley Manning e a sua condenação a 35 anos de prisão pelo contributo decisivo que deu para a retirada das tropas norte-americanas do Iraque ou o do ginecologista Denis Mukwege e a causa das mulheres violadas em África e culpadas pela sua própria violação. Com tanta falta de coragem do Comité Nobel, podemos dar-nos por satisfeitos por não se terem decidido por Vladimir Putin. O nome do mafioso ditador russo figurava entre os candidatos deste ano.

Anónimo disse...

Não são só os exemplos que referiu. Algumas das escolhas dos últimos anos tiraram toda a credibilidade que o prémio tinha.

de Ferreira fernandes disse...

«Nobel não ganhou o honrosíssimo Prémio Malala da Paz 2013. Também era melhor, o inventor da dinamite ganhar um prémio com o nome de uma menina com a cara marcada por uma explosão! No fundo, quem é esse Alfred Nobel? Está bem, um engenheiro dotado, capaz de inventar muita coisa e deixar em testamento a fortuna para honrar os homens e as mulheres que nos fizeram avançar... Ele merece a nossa gratidão, mas daí a ganhar o Prémio Malala seria talvez demasiado. O Nobel da Paz pode ir para uns quaisquer Kissinger, Sadat ou Begin, mas o Prémio Malala é outra coisa. No programa do Jon Stewart, no outro dia, Malala, sábia de 16 anos, explicou que aos 14 anos ainda era uma criança. Ela opunha-se aos talibãs - quer dizer, paquistanesa, ela queria estudar. Ilusões infantis e heréticas. Ela sabia que risco corria, e pensou: "Se vierem os talibãs, que faço?" E ela respondeu--se: "Bato-lhes com uma chinela." O Jon Stewart ficou vidrado. E ela continuou: "Mas depois disse-me, se lhes bato sou igual a eles. Tenho é de estudar." O Jon Stewart tapou a cara com as mãos. E ela, de perfil, majestosa, calada, com a sua boquinha torta de um dos tiros que levou (os talibãs vieram mesmo). O Jon Stewart: "O teu pai está a ver-nos. Achas que ficaria aborrecido se eu te quisesse adotar?" Ele disse isto como os homens bons dizem para disfarçar a felicidade quando encontram um ser de exceção. Malala Yousafzai é o nosso prémio quotidiano de paz connosco.

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