quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Óculos


O excerto do enredo do filme que a seguir reproduzo não é obra da minha imaginação. É a história de uma organização de malfeitores que chega ao poder e, contrariando tudo o que havia prometido em campanha eleitoral, põe em marcha um plano diabólico de escravização do seu povo e de concentração da riqueza do país nas mãos da elite que representa. Para empurrar as pessoas para salários cada vez mais baixos, faz disparar o desemprego pondo em prática políticas que destroem a economia, entre elas uma redução drástica do investimento público e a subtracção dos salários que garantiam o consumo das mercadorias vendidas por muitas empresas. Para aumentar o desespero que facilita a generalização dos salários baixos, reduz as protecções sociais no desemprego e aprova uma legislação laboral que facilita os despedimentos. Para eliminar a concorrência de pequenas e médias empresas e fazer com que os seus proprietários engrossem a multidão de desempregados desesperados que aceitam trabalhar nas condições e recebendo o salário que seja, os malfeitores recusam intervir num mercado de crédito com juros em mínimos mas que deixa de fornecer ou fornece liquidez a juros usurários a pequenos e médios empresários, obrigados a fechar portas e a deixar todo o mercado nas mãos de meia dúzia de grandes empresas.

O filme que acabo de contar-vos está a passar diante dos nossos narizes, invisível para quem anda entretido com produções mediáticas auto-explicativas ou feitas para colocar trabalhadores do público contra trabalhadores do privado, novos contra velhos e submissos contra insubmissos ou com produções caseiras sobre a virtude do abstencionismo. E as cenas do filme vão passando mesmo diante dos nossos olhos: “Salários em Portugal baixam pelo segundo ano consecutivo”, “A taxa de juro cobrada pela banca portuguesa às PME subiu em Julho, contrariando o alívio registado em Espanha e Itália”, “Governo mantém norma que proíbe despedimentos de funcionários públicos admitidos até 2009”, “O número de milionários subiu 3,4% no ano passado e está a caminho dos 11 mil portugueses com mais de um milhão de dólares”, “As vendas a retalho caíram 1,5% no primeiro semestre relativamente a 2012, mas os hipermercados conseguiram aumentar as vendas 2,5%".

 

Sobre o mesmo filme, vale a pena ler “O navio fantasma”.

1 comentário:

fb disse...

O filme que acabo de contar-vos está a passar diante dos nossos narizes, invisível para quem anda entretido com produções mediáticas auto-explicativas ou feitas para colocar trabalhadores do público contra trabalhadores do privado, novos contra velhos e submissos contra insubmissos ou com produções caseiras sobre a virtude do abstencionismo. “Salários em Portugal baixam pelo segundo ano consecutivo”, “A taxa de juro cobrada pela banca portuguesa às PME subiu em Julho, contrariando o alívio registado em Espanha e Itália”, “Governo mantém norma que proíbe despedimentos de funcionários públicos admitidos até 2009”, “O número de milionários subiu 3,4% no ano passado e está a caminho dos 11 mil portugueses com mais de um milhão de dólares”, “As vendas a retalho caíram 1,5% no primeiro semestre relativamente a 2012, mas os hipermercados conseguiram aumentar as vendas 2,5%".