quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Esta garotada não aprende, mesmo

No dia em que deu entrada no Tribunal Constitucional o primeiro pedido de fiscalização sucessiva do diploma que a maioria se lembrou de aprovar para pôr os trabalhadores da Administração Pública a trabalhar gratuitamente 5 horas por semana durante o resto das suas vidas, o Governo aprovou mais dois diplomas que se habilitam a outros tantos chumbos
No primeiro, a emenda de um soneto chumbado, reduzem de 66,7 e 50% do salário de origem, respectivamente nos primeiros seis meses e a partir do sétimo mês, para 60% no primeiro ano  e 40 % a partir daí as remunerações a que tinham direito até agora os trabalhadores colocados em mobilidade especial. Fixam ainda um limite máximo para essa remuneração nos 1257 euros e um mínimo nos 485. Os mandões acham que podem legislar retroactivamente e vêem toda a utilidade em criar um mecanismo de coação pela miséria que pode ser aplicado a funcionários que ousem desobedecer a ordens que prejudicam o Estado mas são da conveniência da chefia respectiva.
Já no segundo, aprovam um corte de 10% a todas as pensões de aposentação aos reformados com menos de 75 anos. Os mandões querem que o Estado português se transforme num vigaristazeco que põe cidadãos uma vida inteira a trabalhar para conquistar o direito a uma velhice digna e, chegada essa velhice, quando nada podem fazer, altera unilateralmente esse contrato e apropria-se de 10% do valor que se comprometeu a pagar-lhes até à morte. Não pode ser.
Deram mais três tiros no porta-aviões. Arriscaram-se a mandá-lo ao fundo outra vez. E há-de ir. Depois ninguém aguenta aquele berreiro do costume e a choraminguice que têm os pés molhados. Esta garotada não aprende, mesmo.

 
Vagamente relacionado: «(...) Se isto for para a frente a direita fez o que lhe estava na alma, a culpa será por isso também da esquerda, e  de quem alimentou a ideia de que isto ia lá sem conflitos radicais. E claro, a culpa será também individual. De quem tem tanto medo de viver que acabará com medo na mesma, só que despojado de tudo, da vida, da dignidade, da felicidade, da possibilidade de ser melhor, de ver os filhos serem melhores. Sobrar-lhes-á o medo, nada mais.» - Raquel Varela, a ler na íntegra no 5 dias.
Ainda mais vagamente: «Manuela Ferreira Leite defendeu que o corte de 10% nas pensões da Função Pública, aprovado em Conselho de Ministros, é uma medida "imoral". Segundo a ex-ministra das Finanças, o Governo deverá anunciar em breve que os cortes nas reformas se estendem também ao sector privado: "Não dou muitos meses para nós estarmos a discutir daqui a uns meses os reformados da Segurança Social. É que esta medida é um teste a um conjunto de pessoas."» - no Expresso.

2 comentários:

O carteira vazia disse...

o problema é que levam e levam mas nao lhes serve de nada... enfim...

http://ocarteiravazia.blogspot.pt /

fb disse...

No dia em que deu entrada no Tribunal Constitucional o primeiro pedido de fiscalização sucessiva do diploma que a maioria se lembrou de aprovar para pôr os trabalhadores da Administração Pública a trabalhar gratuitamente 5 horas por semana durante o resto das suas vidas, o Governo aprovou mais dois diplomas que se habilitam a outros tantos chumbos.


No primeiro, a emenda de um soneto chumbado, reduzem de 66 para 60% e de 50 para 40% do salário de origem, respectivamente nos primeiros seis meses e a partir do sétimo mês, as remunerações a que tinham direito até agora os trabalhadores colocados em mobilidade especial. Fixam ainda um limite máximo para essa remuneração nos 1257 euros. Os mandões acham que podem legislar retroactivamente e coagir pela miséria funcionários que ousem desobedecer a ordens que prejudicam o Estado mas são da conveniência da chefia respectiva.


No segundo, aprovam um corte de 10% a todas as pensões de aposentação aos reformados com menos de 75 anos. Os mandões querem que o Estado português se transforme num vigaristazeco que põe cidadãos uma vida inteira a trabalhar para conquistar o direito a uma velhice digna e, chegada essa velhice, quando nada podem fazer, altera unilateralmente esse contrato e apropria-se de 10% do valor que se comprometeu a pagar-lhes até à morte. Não pode ser. Esta garotada não aprende. Mesmo.