segunda-feira, 30 de setembro de 2013

E o Bloco de Esquerda?


Ao contrário do que disse João Semedo ontem à noite, a derrota do PSD não é vitória nenhuma do Bloco de Esquerda. Também não o é do MRPP, ou do PAN, ou do PTP. Foi uma vitória de todos os partidos que conseguiram aumentar o número de Câmaras, de vereadores, de votos. E o Bloco perdeu em toda a linha. Talvez não fosse má ideia reflectir sobre tudo o que está a acontecer ao partido, que todos vemos a agonizar numa morte lenta. Que esquisitices como a liderança bicéfala, ainda por cima esta liderança bicéfala, foi um tiro no pé. Que o realejo das causas fracturantes a tocar em automático não convence ninguém. Que o discurso contra-cultura apenas afasta eleitores. Que mais vale não apresentar listas em certas autarquias do que apresentar listas que integram pessoas com as quais a maioria dos portugueses se envergonharia de se sentar no café. Que a falta de militantes com qualidade para integrarem listas, e há militantes com méritos reconhecidos que ficaram de fora, não se compensa com alianças com independentes das quais o partido não retira qualquer vantagem. Que uma política de comunicação em que todos falam e em que tudo é assunto, sem estratégia e sem hierarquia de causas, não dá nem pode dar bom resultado. Referi atrás que talvez fosse boa ideia reflectir sobre tudo isto. Disse talvez porque não sei se não será tarde demais. Algures ali por volta de 2009, reconhecia-se no Bloco de Esquerda um partido com um projecto para o nosso país. Desde então, foi sempre a perder. O Bloco é hoje mais um projecto de partido  do nosso país. É pena.

4 comentários:

Anónimo disse...

Tudo isso são coisas sem importância. O que interessa é acabar com os piropos.

Anónimo disse...

O BE tem de decidir se quer ser um partido de contestação ao poder actual ou uma futura muleta do PS.
E, claro, dar prioridade às questões económicas e sociais. As "questões fracturantes" são apenas folclore que, neste momento, pouco afligem os portugueses.

Filipe Tourais disse...

Discordo. Não sei se dizer que não tem, se dizer que não tinha que ser muleta do PS. O BE poderia perfeitamente ser o BE se soubesse, tivesse sabido ocupar o vazio que existe entre o PS e o PCP. E é um espaço enorme aquele que vai de um ao outro.

Anónimo disse...

Claro que há espaço. Pelo menos 10% do eleitorado.
No entanto, ao aproximar-se do PS perde aquilo que torna o BE importante aos olhos de eleitores como eu.