quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Atenção aos artistas

Reagindo à decisão do TC, que declarou inconstitucionais algumas das novas normas do Código de Trabalho relacionadas com o despedimento por extinção do posto de trabalho e por inadaptação e a prevalência do Código do Trabalho sobre as convenções colectivas, Carlos Silva considerou que "aquilo que foi decidido pelo Tribunal Constitucional vem ao encontro da satisfação de muitos trabalhadores e a UGT hoje, um ano e meio depois do acordo de concertação social assinado em 2012, reconhece como satisfatória a decisão tomada". Confesso que quando soube da notícia fiquei curioso sobre qual seria a reacção da UGT. Quando ouvi Carlos Silva, sorri com a habilidade que utilizou para dizer que a decisão "vem ao encontro da satisfação de muitos trabalhadores" em vez do pedido de desculpa que se impunha a uma central sindical que dá o seu acordo e se põe ao lado do Governo para juntos aprovarem legislação inconstitucional contra os trabalhadores seus representados.
Recordemo-lo, quem assinou o acordo em nome da UGT, João Proença de sua graça, é hoje dirigente do Partido Socialista, um partido muito "de esquerda" mas que votou ao lado de PSD e CDS na aprovação das mesmas inconstitucionalidades. Contudo, ao contrário de um Carlos Silva que reconhece como satisfatória a decisão do TC para evitar congratular-se com uma decisão que expõe mais uma das inúmeras traições da central sindicalque dirige, o Partido Socialista remeteu-se ao silêncio e não reagiu à decisão que o expõe pelos mesmos motivos.
 há dias, João Semedo defendeu que “um governo de esquerda é um governo com políticas de esquerda, com consensos de esquerda, contra a austeridade e não com consensos à António José Seguro, com a direita e a troika”. Estas palavras, tal como o apelo que dirigiu ao eleitorado socialista,  que pensem sobre o que António José Seguro e o PS farão com os votos que lhes confiarem,   ganham redobrado sentido depois do chumbo hoje conhecido.
Bem sabemos como a reacção habitual da claque socialista a este tipo de constatações costuma ser aquele "não ganham nada em atirar-se ao PS em vez de se atirarem à direita". O problema é precisamente esse, o PS faz falta enquanto partido de esquerda e não como uma cópia da direita, à semelhança do que acontece com os seus congéneres por essa Europa fora. Aí não faz falta nenhuma. Para além do tema ser política e não futebol, a claque socialista é que não ganha nada em calar-se quando o seu PS se porta mal. Os aplausos e os silêncios nunca operam mudanças. É olhar para a Grécia e para o PASOK, actualmente no Governo de coligação com a Nova Democracia. Se o que pretenderem for um Governo de "salvação nacional" PSD-PS, e já faltou menos, fazem muito bem em não cobrar os sucessivos deslizes que nunca lhes mereceram sequer um reparo. Nesse caso, já cá não está quem falou.


Entretanto: «PS saúda TC por ter chumbado algumas alterações ao Código do Trabalho. Espera… mas só nove deputados do PS é que votaram contra as alterações. Quanta hipocrisia! Continuem a gozar com a nossa miséria por um punhado de votos!

 Olhos nos olhos repito aos que administram os seus interesses sob a sigla PS repito o que lhes disse Francisco Lopes na Assembleia da República:

O PS votou a favor da redução do direito de descanso compensatório e da diminuição para metade do pagamento do trabalho suplementar e do trabalho realizado nos dias de descanso semanal e nos feriados.

 O PS votou a favor da precariedade com a facilitação do contrato de trabalho de muito curta duração.

 O PS votou a favor do despedimento por inadaptação e da redução das indemnizações por despedimento.

 O PS votou a favor da facilitação do banco de horas grupal.

 O PS votou a favor do roubo de três dias de férias e do ataque à contratação coletiva.

 Para quem fala em rutura, isto significa a continuação da rutura com os trabalhadores e com os seus direitos!» - Tiago Mota Saraiva, no 5 Dias.

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