quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Uma entrevista e tanto


Paulo Gray é actualmente director-geral da StormHarbour, a consultora contratada pelo actual Governo para assessorar o IGCP, a agência que gere a dívida pública portuguesa, na renegociação de contratos de swaps de empresas públicas. Noutros tempos, de mais decoro, seria o entrevistado mais improvável de uma televisão. Primeiro, por não fazer sentido entrevistar alguém para lhe extrair uma versão sobre acontecimentos que envolvem um cliente seu, mas, sinal dos tempos que vivemos, os critérios jornalísticos da RTP já engoliram a velha máxima que, tal como  aconselha o fornecedor a dar sempre toda a razão ao cliente, mesmo que não tenha nenhuma, também recomenda prudência a todos os jornalistas que se sintam tentados a sujarem-se em tais caldinhos.

Depois, porque para dizer umas larachas que, para desgosto do cliente,  não ilibam Joaquim Pais Jorge de coisíssima rigorosamente nenhuma, tal como ter dito que provavelmente terá  sido ele próprio a propor o negócio dos produtos tóxicos ao gabinete de José Sócrates, assumiu ter sido director-geral e responsável de vendas de produtos tóxicos  do Citigroup para a Península Ibérica. Ou seja, novo sinal dos tempos que vivemos, aquele que outrora pilhava o galinheiro foi contratado pelo actual Governo e está actualmente a guardá-lo sem qualquer embaraço.

Foi uma entrevista realmente curiosa. O lobo que impingia swaps do Citigroup e agora os renegoceia com o antigo patrão a tentar safar outro lobo da mesma matilha, alegadamente mal sucedido a vender swaps mas aproveitado por José Sócrates para renegociar PPPs. Escapou ao entrevistador perguntar ao seu convidado se também foi ele a convencer Manuela Ferreira Leite a vender ao Citigroup 11,4 mil milhões de euros de dívidas ao Estado por apenas 500 milhões pelo toma lá dá cá de um ajuste directo e não por concurso público internacional, como mandava a lei, um negócio que Teixeira dos Santos se encarregou de tornar ainda mais lucrativo para o mesmo Citigroup. mas de certeza que foi por falta de tempo e não para impedir que os portugueses percebam de uma vez por todas para quem trabalham há tanto tempo e que não há melhores nem piores no tal "arco da governabilidade" que promove toda esta podridão. Vivemos décadas acima das nossas possibilidades e agora até temos falta de tempo. É a vida.

4 comentários:

Anónimo disse...

Porque será que os economistas Ricardo Paes Mamede, Jorge Bateira, José Gusmão, Nuno Teles, João Rodrigues, João Galamba, Pedro Laíns, Alexandre Abreu, Mariana Mortágua, Ana Cordeiro Santos, João Lisboa, ... e sei lá quantos mais, gente altamente qualificada (académicos com obra produzida) na área da Economia e Finanças, nunca são chamados às televisões para comentário económico?
Porque será que José Reis, João Ferreira do Amaral, José Maria Castro Caldas, Francisco Louçã... só raramente são chamados a fazê-lo?
Porque será que António Nogueira Leite, João Duque, Cantiga Esteves, Miguel Cadilhe, João Salgueiro, Mira Amaral, João César das Neves, Daniel Bessa, Luís Campos e Cunha, Braga de Macedo, ... e uns quantos desconhecidos, invariavelmente mergulhados nos negócios da Banca contra o Estado são os homens de serviço para esse comentário?
Será por todos estes serem os responsáveis pela miséria que vivemos?
Não!
Branqueando o seu passado, vêm agora anatemizar esse passado e propor-nos os seus "remédios" para nos tirarem do atoleiro a que nos conduziram.
Insólito, não é?

Anónimo disse...

Por que razão continuam os media (e as televisões em particular) a participar nesta enorme operação de ocultamento?

A descrição do país continua a ser feita nas mesas-redondas da televisão, nos comentários dos comentaristas, nos discursos dos ministros e dos dirigentes partidários do arco da governação, seguidos em matilha por uma pequena floresta de microfones. Será que um dia aqueles jornalistas todos, que repetem as mesmíssimas palavras dos ministros, que falam de "requalificação" em vez de despedimentos na função pública, de "reformas estruturais" em vez de cortes no Estado social, de "ajustamento" em vez de empobrecimento, do arco da governação como se fosse um artigo da Constituição, será que um dia todos estes jornalistas vão fazer dos tripés coração?

A função dos jornalistas não é repetir as declarações dos políticos. A função do jornalismo é produzir democracia. Porque a democracia é o regime das escolhas e a função do jornalismo é identificar opções, esclarecê-las, confrontá-las e colocá-las em discussão. Há demasiada retórica por explicar na política portuguesa, demasiada língua de trapos repetida por jornalistas, demasiadas perguntas por responder, demasiados discursos sem perguntas, demasiado respeito perante um poder que não respeita leis.

Anónimo disse...

Miséria! A miséria a que chegamos concerteza que faz com que o Salazar ande às voltas na sepultura! Então não era de o Povo sair para a rua e correr com estes gatunos de lá para fora! Querem vender o Pais e só quando não sobrar nada mas mesmo nada é que eles se piram para fora de Portugal e vão viver para um resort qualquer onde se apanha sol de manha à noite e bebe-se água de coco com escravos a abanarem por dá cá aquela palha enquanto o resto dos Portugueses ficam a afundar e a pagar pelos erros que eles cometeram!O resto dos Portugueses vão ser escravizados para não passarem fome! Acordem Portugueses porque senão vai ser tarde demais e Portugal nessa altura já não é dos Portugueses!

Filipe Tourais disse...

O Salazar, se andaràs voltas no túmulo, será de satisfação pela qualidade dos seguidores. A miséria do Salazar está a voltar em força. A oligarquia dos homens de mão de Salazar é a mesma. E Salazar também tinha destes meninos. Não davam entrevistas, é a diferença, mas faziam negócios.