sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Propaganda, laranja e rosa


Numa nota enviada às redacções, o Ministério das Finanças esclarece que o facto de a proposta de lei que corta 10% nas pensões do Estado não abranger as subvenções vitalícias pagas a cerca de 400 ex-titulares de cargos políticos não quer dizer que elas fiquem a salvo de reduções. Também não quer dizer que sejam alvo de reduções, como se lê em títulos de notícias como esta, atenção. A máquina de propaganda do Governo apenas quis responder a um ex-deputado do PS e candidato à Câmara de Oeiras, cuja nota que publicou no facebook ganhou asas e foi parar a todos os jornais. 

Sobre a mesma nota, pronunciei-me, também no facebook, nos seguintes termos: 


Ao que Marcos Sá respondeu, entre outras tiradas:

«A partir de 2005 mais nenhum político teve direito! As que já estavam atribuídas mantiveram-se, pois às leis não podem ser retroactivas. Ou seja, eu votei para acabar com um privilégio a que teria direito se a lei não fosse alterada em 2005. Eu e mais 121 deputados do ps, diga-se em abono da verdade. Não reconhecer isso é não querer saber a verdade.»

Juntei então à observação que fiz antes deste depoimento do candidato – « «Vê-se que acabou. As subvenções continuam a existir» – a seguinte resposta: 

«Exacto, Marcos Sá. A tal retroactividade que evapora quando se trata dos salários e das pensões que Sócrates cortou, imagino que com o seu voto, e passos coelho voltou a cortar, que só é respeitada quando se trata de subvenções, swaps, PPP e outros negócios do centrão. Foi nestes negócios que sempre votou. Outra coisa. Depois dessa aprovação, os seus camaradas de partido Jorge Lacão, José Junqueira, Maria de Belém e Fernando Serrasqueiro, entre outros, requereram a subvenção antes que fosse tarde e a perdessem. Queria saber se também os considera enlatados ou se o termo só se aplica a deputados do PSD e CDS, por não serem do PS.» 

Marcos Sá respondeu para lá umas coisas – «Não imagine, pois pode encontrar muitas surpresas. Felizmente não me considero um yes man.» –, mas relativamente à pergunta sobre os camaradas de partido, que voltei a colocar-lhe – «Marcos Sá, não respondeu à minha questão sobre os seus camaradas de partido e era esse o ponto de vista que expressei no post acima. Então, são enlatados ou não? Está a fugir à questão essencial aqui e eu gostava tanto de retirar o que disse sobre si.» –,  até agora, nem uma palavra. 

Se entretanto se dignar a responder, naturalmente que acrescentarei a este post tudo o que disser. 

Conforme prometido, as actualizações:

Cláudia Lamy: Conseguiram que ficasse extremamente curiosa relativamente à resposta do candidato...

Marcos Sa: Quem anda a fugir à verdade não sou eu filipe tourais... Sou contra as chamadas subvenções dos políticos. Se sou contra tanto pode ser do pcp, do ps, do cds, ou do psd. Espero ter satisfeito a curiosidade da Cláudia Lamy

Filipe Tourais: Ah, fico contente que no PS haja quem aponte o dedo aos enlatados do próprio partido. Podia tê-los incluído na nota que publicou ontem, ganharia a sua credibilidade e ganharia o seu partido. Mas teve a coragem de fazê-lo aqui. Aplaudo-lhe o gesto.

Marcos Sa: Aquilo que disse ontem e volto a afirmar é que é preciso este governo ter muita lata qd apresenta um corte de 10% aos pensionistas e excepciona os políticos que usufruem subvenções vitalicias! Não lhe fica nada bem batalhar tudo, mas como não é capaz de melhor, o melhor mesmo é levar a bicicleta...

Filipe Tourais: Não são as minhas ínfimas capacidades que estão aqui em causa, eu não sou candidato a nada e posso dar-me ao luxo de lhe dar toda a razão quanto ao que diz sobre a minha pessoa, não fico nem melhor, nem pior. Não serei capaz de melhor que isto, ok.E o Marcos Sá, consegue fazer melhor do que usar um mural que não o seu para dizer umas coisas vagas sobre companheiros de partido que observam comportamentos que diz que reprova? Parta lá a loiça, mostre que é capaz de melhor.

1 comentário:

Anónimo disse...

Gosto imenso destas disputas intelectuais e de bem fazer e melhor parecer. Mas o cerne da questão, como em muitas outras ocasiões perde-se e torna-se irrelevante na discussão. O que está verdadeiramente em causa e que deveria ser o cerne da questão ( e aí sim veriamos quem tem opinião e estofo politico para assumir uma posição coerente) é o corte dos 10% nas pensões. Esta é a verdadeira questão politica. A questão da sua justeza, a questão da sua inevitabilidade, a questão do seu resultado prático para as contas do Estado, etc. Discutam isso e assim veremos quem assume a posição mais correta e consentânea com os seus valores.