sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O Rei vai nu? Mas claro que não!


De manhã, a notícia de que Luís Filipe Menezes recebeu na Câmara de Gaia, à qual ainda preside, inquilinos da autarquia à qual se candidata, com quem conversou e a quem solicitou os comprovativos das rendas da casa relativas ao mês em curso e ainda por pagar. A peça refere que o caso não é único, citando também o de Fernando Ruas, igualmente do PSD e Presidente da Câmara de Viseu, e nela pode ler-se que não foi a primeira vez que Luís Filipe Menezes o fez: num dos casos, de acordo com relatos feitos ao PÚBLICO, Menezes pagou a renda de casa da inquilina e liquidou a factura da luz que se encontrava em atraso. E deu dinheiro a uma idosa para almoçar e pagar o transporte de regresso ao Porto. À tardinha, em resposta ao mesmo jornal e também em entrevista à Antena 1, o Presidente da CNE fala nos dois crimes que Luís Filipe Menezes cometeu e na moldura penal aplicável, isto, claro, caso a Comissão Nacional de Eleições dê como provados os factos citados na notícia da manhã. Ora, todos sabemos, Luís Filipe Menezes, Fernando Ruas e outros que tais incluídos, qual é a probabilidade do sucesso do tal apuramento. Quem é que não se lembra do Valentim dos electrodomésticos?

Estamos novamente a falar de um fenómeno que é do conhecimento público não apenas que existe, que  existe à descarada, mas que formalmente é uma inexistência. Estamos outra vez a falar de dinheiros obtidos de forma ilícita através de expedientes conhecidos, tais como licenciamentos de construção e estudos e pareceres fictícios, que fazem desaguar rios de dinheiro nas contas bancárias de certos partidos e de alguns dos seus militantes mais espertalhaços. E estamos a falar do serviço de transporte prestado em dias de eleição por funcionários de autarquias e de outras entidades de utilidade ainda mais misericordiosa a utentes de lares de terceira idade e a beneficiários de ajuda alimentar, que chegam aos locais de votação sempre em grupos de quatro ou de oito pessoas, consoante os transportem em viaturas de cinco ou de nove lugares.

E tudo isto existe sem existir. Quem reúne as provas sabe  de antemão que Quem lhe limita os meios ficaria sem vontade absolutamente nenhuma de voltar a pensar em si como a pessoa indicada para tornar a reunir provas caso descobrisse alguma coisa que depois desse trabalho a fazer desaparecer nos tribunais. Estes cargos são para gente realista, não para esses que para aí há que acreditam no primeiro que desata a dizer mal de pessoas bondosas e de cidadãos exemplares com provas dadas ao serviço da sua comunidade e do seu país. Mentirosos. O Rei vai nu? Mas claro que não!
  • Vagamente relacionado: Porcos.

1 comentário:

ce disse...

A valentinzação eleitoral, à semelhança das ofertas de frigoríficos pelo inefável major Valentim Loureiro, mais habituado a receber do que a dar, desde os tempos em que foi responsável pela compra de batatas para o exército, parece ser um expediente em franca expansão.

Luís Filipe Meneses, paga contas da luz e água, a gente pobre e Fernando Ruas, o ainda autarca de Viseu, oferece cheques da Câmara à porta das missas e, segundo as contas dos candidatos dos outros partidos, as ofertas totalizam 70 mil euros.

Há quem veja nas atitudes uma condenável e demagógica campanha eleitoralista, digna do terceiro mundo e passível de sanção penal mas pode não passar de espírito caritativo, num caso, e de devoção pia, noutro.

Os adros das igrejas eram locais de arrematação de oferendas dos fiéis quando abundava a fé. Hoje, minguada a devoção e a generosidade, o livro de cheques da autarquia pode ser o substituto dos pés de porco e orelhas do dito que, em dias de festa, se entregavam a quem desse mais.

A nostalgia do salazarismo acorda tiques que se estendem do interior do Cavaquistão até às zonas degradadas de uma cidade cosmopolita como o Porto.