sábado, 10 de agosto de 2013

O festival SWAP e a auto-denominada"alta" política


Durante os Governos PS, foram assinados mais de uma centena de contratos swap que ficaram nas mãos do PSD  quando este chegou ao poder. Responsabilidades para o Governo que os permitiu, responsabilidades para o Governo que não soube actuar e não denunciou a situação, mais de 3 mil milhões de euros a pagar pelos já largamente espremidos portugueses, a mesma fortuna dada a ganhar por ambos os Governos a clientelas que hoje se percebe claramente são partilhadas pelos três partidos envolvidos (PS, PSD e CDS), uma Secretária de Estado do Tesouro promovida a Ministra das Finanças apesar das responsabilidades directas que tem na assinatura de um número ainda indeterminado de contratos SWAP, um secretário de Estado do Tesouro por ela escolhida entre o exército de vendedores de SWAP ao Estado português, também homem de confiança de Sócrates para renegociar PPP, que acabou por demitir-se por ter escondido a sua participação em negócios que se não se fizeram não foi por falta de vontade sua.

Chegados aqui, PSD e PS, com o CDS bem calado apesar de ter também nas suas fileiras um homem SWAP que foi posto a administrar a Águas de Portugal, tentam varrer a caca para o quintal do vizinho. E atenção que nunca nenhum dos três assumiu que aquilo é caca: são produtos absolutamente legais, não fossem eles os detentores do poder legislativo que confere legalidade a tudo o que lhes dê na real gana.

Foi assim que, com o PSD atolado em SWAPs até ao pescoço e com o PS  empenhado em mostrar-se diferente do PSD, na tentativa desesperada de repartir eventuais custos políticos das responsabilidades que os dois partidos objectivamente partilham em todo este lodaçal, o PSD fez uma pergunta tão simples como importante ao PS: o que é que o PS pensa sobre a assumida participação do seu assessor económico nas reuniões com o Citigroup, em que esta instituição financeira apresentou uma proposta que previa que os valores da dívida e do défice públicos fossem alterados?

A resposta seria simples, "reprovamos", "condenamos", "perdemos a confiança nele e por isso iremos demiti-lo de imediato", mas isto se o PS não estivesse também enterrado em SWAPs até ao pescoço e fosse tão diferente do PSD como tentam mostrar. Repare-se como fazem o mesmo ao seu assessor que o PSD fez ao seu Secretário de Estado do Tesouro: não o demitem. E passemos em revista o autêntico festival da não resposta que o PS promoveu para não se comprometer com nenhuma posição clara.

Ainda se lembram da pergunta? Dizerem o que pensam sobre a assumida participação do seu assessor económico nas reuniões com o Citigroup em que esta instituição financeira apresentou uma proposta que previa que os valores da dívida e do défice públicos fossem alterados.

Em comunicado, ontem: "O PSD através do seu líder parlamentar protagonizou um lamentável momento de política rasteira e destituída de qualquer dignidade pessoal ou política. (...) "Foi uma tentativa vil e soez de envolvimento do secretário-geral do PS no processo dos swaps apesar de ser público e notório que nada o liga ao processo".

António José Seguro, respondendo a jornalistas: “Na política não somos todos iguais. Eu abomino a baixa política e a política feita sem ética.” Questionado sobre se mantém confiança no aconselhamento económico do seu assessor para esta área, a resposta foi: “Aquilo que importa aos portugueses é que os políticos se concentrem no essencial, o essencial são os problemas dos portugueses”. À pergunta se considera importante dizer aos portugueses se concorda com a realização de contratos swaps com reflexos no défice e na dívida, o líder socialista adiantou: “Quando foi apresentada no Parlamento a proposta de uma comissão de inquérito para se apurar a verdade, a minha resposta foi imediata: ‘apure-se a verdade’. É isso que os portugueses querem, a verdade.”

Perceberam? Alguém é capaz de dizer o que é que António José Seguro pensa sobre o assunto que seja? "Consensos", "diálogos", "sentido de Estado e de responsabilidade", "estabilidade política" e outras vacuidades à parte, evidentemente.

2 comentários:

fb disse...

Durante os Governos PS, foram assinados mais de uma centena de contratos swap que ficaram nas mãos do PSD quando este chegou ao poder. Responsabilidades para o Governo que os permitiu, responsabilidades para o Governo que não soube actuar e não denunciou a situação, mais de 3 mil milhões de euros a pagar pelos já largamente espremidos portugueses, a mesma fortuna dada a ganhar por ambos os Governos a clientelas que hoje se percebe claramente são partilhadas pelos três partidos envolvidos (PS, PSD e CDS), uma Secretária de Estado do Tesouro promovida a Ministra das Finanças apesar das responsabilidades directas que tem na assinatura de um número ainda indeterminado de contratos SWAP, um secretário de Estado do Tesouro por ela escolhida entre o exército de vendedores de SWAP ao Estado português, também homem de confiança de Sócrates para renegociar PPP, que acabou por demitir-se por ter escondido a sua participação em negócios que se não se fizeram não foi por falta de vontade sua.

Anónimo disse...

UMA PERGUNTA:PORQUE É QUE SE PRETENDE DISCUTIR NOS MÉDIA UM SWAPS QUE NÃO FOI COMPRADO, EMVEZ DE DISCUTIR OS QUE FORAM FEITOS, QUEM OS CONTRATOU, QUEM OS VENDEU E QUEM ESTÁ A PERDER E A GANHAR COM ELES.
OS QUE NÃO FORAM FEITOS, MESMO QUE TENHA HAVIDO CENTENAS DE REUNIÕES, AINDA BEM...OK!1