quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Novamente o verbo roubar


Entrar numa pastelaria, pedir oito pastéis e pagar apenas sete configura roubo. Voltar à mesma pastelaria no dia seguinte, pedir os mesmos oito pastéis e, diante da recusa do dono, usar a força e apontar-lhe uma pistola para pagar apenas sete será assalto à mão armada. Voltar lá todos os dias e fazer o mesmo a coberto das autoridades assume contornos de crime organizado. Já exigir aos funcionários públicos que durante o resto das suas vidas trabalhem oito horas diárias em vez de sete sem lhes pagar rigorosamente nada pela hora suplementar e, em simultâneo, roubar o ganha-pão a todos e todas cujas sete horas diárias correspondam ao somatório do roubo diário de uma hora sem remuneração adicional a sete colegas parece absolutamente normal. Cavaco Silva promulgou o aumento do horário semanal de trabalho na função pública das 35 para as 40 horas sem qualquer acréscimo remuneratório. Não deixa de ser roubo. Como vimos atrás, até é um duplo roubo. Porém, tudo ganha contornos de absoluta normalidade quando se dá o infeliz acaso do chefe de um gang perigoso ser também Presidente da República e do  Tribunal Constitucional poder vir a aceitar fazer parte da quadrilha. É o que falta confirmar. Mas o roubo começará antes disso. O gang arranjou forma de coagir o TC com os milhões em horas extraordinárias a que terão direito os trabalhadores do Estado caso o seu veredicto seja a inconstitucionalidade do diploma.  

Vagamente relacionado: Os dados que o Governo forneceu ao FMI sobre a evolução dos salários em Portugal estão deturpados. O “Jornal de Negócios” conta que os gráficos que o Fundo Monetário Internacional publicou na sétima avaliação escondem os valores reais. De acordo com aquela publicação, da base de dados utilizada foram eliminadas milhares de observações que davam conta de um aumento significativo no número de trabalhadores com redução de salários. Em vez disso, os dados fornecidos acentuam um congelamento salarial. O FMI diz que recebeu os dados do Governo, mas não os confirmou tomando como certos os valores indicados. E é com base nestes indicadores que tem defendido maisreduções salariais no sector privado.


(actualizado)

Sem comentários: