segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Salvé assistencialismo



Na sua homilia dominical, Marcelo falou sobre o episódio da entrevista de Judite de Sousa ao rapazinho que estoura milhões em festas e em carros que tanto deu que falar. Criticou a insistência com que fez as perguntas, que alongou a entrevista, criticou o tom que empregou e, em tom de explicação para tais excessos, abordou vagamente a questão da diferença entre as concepções de vida de Judite de Sousa e do rapaz Lorenzo, mais concretamente a questão da tal “solidariedade social” que as Judites desta vida vêm vendendo como sendo uma obrigação moral que abrange todos os mais ricos entre os ricos. E repare-se no pormenor importante da omissão, nem Judite, nem Marcelo, nenhum dos dois falou em impostos, quando a questão passa precisamente por aqui: se quisermos pôr os mais ricos a contribuírem para a sociedade que os enriquece de forma obrigatória e não ao sabor da sua boa vontade, tal faz-se com impostos, não com “solidariedades sociais” facultativas. A questão colocar-se-ia obrigatoriamente assim num programa cujo objectivo fosse transmitir conhecimentos sobre visões e modelos de sociedade alternativos. Porém, as missas, e aquilo é uma missa, não têm por finalidade informar e sim doutrinar. A missa terminou com o arrependimento de Judite de Sousa quanto ao tom e quanto ao tempo excessivo de uma bravata mal sucedida que tentou sobre alguém com muito dinheiro e aproveitando que esse alguém não tem nenhum daqueles poderes que as Judites não ousam questionar. Final em paz. Salve assistencialismo das esmolas e das lérias para entreter moralistas, salvai-nos da opressão do Estado social que não pode pesar no bolso dos mais ricos, livrai-nos dos funcionários públicos necessários para assegurar mínimos de qualidade, o nosso inimigo são eles e não as isenções fiscais dos mais ricos, Ámen. Salvemos os ricos para que eles possam salvar-nos. Se lhes apetecer.

2 comentários:

Anónimo disse...

A Judite tem alguma razão. Se ela ganha uns miseráveis 25 mil por mês que mal dão para as despesas e ainda assim se farta de fazer caridade, porque não os ricos?

Anónimo disse...

Tem razão em quê, em defender os seus e uma caridade que lhes fica muito mais barata do que se tiverem que pagar impostos para o SNS e para a Educação? Tem, pois. Toda. Se eu fosse rico, defendia o mesmo.