quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Estamos 2% mais pobres, 'bora lá festejar


No final do segundo trimestre de 2013, a economia portuguesa produzia menos 2% da riqueza que produzia no final do segundo trimestre de 2012, mas produzia mais 1,1% do que aquilo que produziu nos três meses imediatamente anteriores. Isto significa que estamos mais pobres do que estávamos há um ano, mas o Governo e a sua imprensa dizem que saímos da recessão. Seria tão bom que tivessem razão.

Exemplifiquemos. Tomemos como referência o segundo trimestre de 2012 e, para facilitar as comparações, associemos-lhe um PIB de valor 100.

1º Caso – se o PIB for sempre caindo a um ritmo aproximadamente constante, os valores do PIB nos trimestres seguintes seriam qualquer coisa como 99,5, depois 99, depois 98,5 e, finalmente, 98. Estamos 2 por cento mais pobres do que estávamos no período inicial e mais pobres 0,5% do que no trimestre anterior.

2º Caso – imaginemos que os valores intermédios se alteram ligeiramente, mas que os valores inicial e final são os mesmos: 100, 95, 90, 98. Se assim acontecesse, no final do período estaríamos, tal como no primeiro caso, 2% mais pobres do que no período inicial, mas, fantástico, 8% mais ricos do que no trimestre anterior.

Em ambos os casos, estamos 2% mais pobres, mas O segundo caso tem a vantagem de poder inspirar frases como “Portugal sai da recessão com um crescimento de 8%”. Não foram 8%, foram apenas 1,1%, mas a festa é a mesma. Estamos 2% mais pobres do que no ano passado por esta altura. ‘Bóra lá festejar.

4 comentários:

Nemo disse...

Ambas as visões estão certas.
No entanto, repare que se Portugal crescesse da mesma forma nos 3º e 4º trimestres de 2013, a variação homóloga continuava negativa. Mas com 3 trimestres consecutivos de crescimento continuaria a dizer que Portugal estava em crise? As inversões de tendência notam-se nos dados trimestre a trimestre. Os dados homólogos apenas a mostrarão com pelo menos um ano de crescimento.

No facebook disse...


Imaginemos que o Benfica registava a sua primeira vitória à 11ª jornada e que todas as 10 jornadas anteriores correspondiam a outras tantas derrotas. Aparecia Jorge Jesus, armado em campeão, a dizer que as 10 derrotas tinham valido a pena, que a equipa estava no bom caminho e que ainda iriam ser campeões graças ao bom trabalho por ele conduzido. Seria lindo. Os sócios mandavam-no logo embora. Aliás, seguramente que nenhum treinador se aguentaria no Benfica se somasse 10 derrotas consecutivas. Mas à frente do Governo, aguenta. E podem dizer o que quiserem sobre si próprios que ninguém reage. A economia portuguesa registou uma exibição 1,1% melhor do que a exibição do trimestre anterior graças a exportações que cresceram porque o consumo em França e na Alemanha melhorou. Não melhorou à custa do que nos têm roubado e querem continuar a roubar em salários, em direitos, em serviços públicos. Mas parece que sim. E que vamos ser campeões, apesar da economia registar uma exibição 2% pior do que um ano antes. E 2% configura uma recessão profundíssima, caros associados e simpatizantes.

Filipe Tourais disse...

Como diz, as tendências verificam-se em vários trimestres consecutivos e não apenas em um. E repare que se Portugal crescer em quatro trimestres consecutivos, a variação homóloga será forçosamente positiva.

Anónimo disse...

A esquerda muito gosta de manipular os números. Quando os números trimestrais não lhes servem logo alargam ou encurtam o periodo comparativo de modo que os números lhes sirvam o guião propagandista. Até parecem desiludidos por a economia estar a dar sinais positivos. Faz sentido, uma vez que sem crises e desgraças não teriam o que criticar e desapareceriam no esquecimento. Alimentam-se de cadáveres como os abutres.