quinta-feira, 8 de agosto de 2013

É isto que queremos para o nosso futuro colectivo?


Portugal só conseguiu criar empregos mal remunerados nos salários abaixo do nível de pobreza, abaixo dos 310 euros. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a destruição de postos de trabalho por conta de outrem entre o segundo trimestre de 2012 e igual período deste ano foi de 4% (ou menos 146 mil empregos em termos líquidos). Todos os escalões de rendimento contribuíram para a descida excepto o dos salários líquidos inferiores a 310 euros, o qual registou um aumento de 5,2% (mais oito mil casos). “É melhor do que nada”, dirão todos aqueles e aquelas que têm mais dificuldades em perceber que, porque tudo é melhor do que nada, ser melhor do que nada não é argumento. Mas será isto que queremos para o nosso futuro?

Nos últimos dois anos, Portugal foi o país da Europa onde os salários reais sofreram a maior quebra. A austeridade e os juros usurários vão tornando cada vez mais provável a saída de Portugal do euro. E, saindo do euro, os efeitos da desvalorização cambial, que ocorrerá necessariamente no período imediatamente a seguir, terão como consequência reduções ainda maiores sobre os salários reais, para mínimos de indecência. Repito a pergunta: é isto que queremos para o nosso futuro? E sim, há sempre alternativas. Um exemplo: a alternativa a permitir é recusar. Outro: a alternativa a ficar caladinho é fazer muito barulho.

E Uma ressalva: a alternativa a votar nos partidos do “arco” NÃO É não votar em ninguém. É querer mudar de vida e aprender a dar utilidade ao voto. É aprender a ser gente que se faz tratar como gente.

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