quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Crime organizado, mas com responsabilidade e sentido de Estado


A Inspecção-Geral de Finanças destruiu documentação que produziu em 2008 relativa aos contratos swap e que seria essencial para avaliar o controlo feito à subscrição destes produtos pelas empresas públicas. Na auditoria que a ministra das Finanças solicitou, revela-se que, dos oito dossiers necessários para analisar a actuação do organismo em relação à celebração destes derivados, apenas dois não foram eliminados, apesar da lei consagrar a obrigatoriedade  da sua conservação durante 20 anos. As finanças depois justificaram a destruição dos documentos com alegadas “práticas internas” da IGF.E há-de ficar assim mesmo.


Noutra frente, o inquérito que investiga suspeitas de corrupção na aquisição dos dois submarinos que o Estado português comprou a um consórcio alemão tem novos arguidos, mas entre os nomes avançados pela imprensa  não está o de Paulo Portas, à data Ministro da Defesa responsável político pelo negócio e também Presidente do CDS, partido em cujas contas bancárias foram efectuados depósitos de várias dezenas de milhões de euros por anónimos muito generosos.

Mais duas notícias para partilhar, esbracejar, praguejar e aproveitar para dizer umas quantas sobre políticos todos iguais e sobre não haver alternativas. Votar na mudança é que não. Os portugueses são um povo engraçado.


Ao final do dia: Rui Machete deu o dito pelo não dito. O ministro dos Negócios Estrangeiros emitiu nesta quinta-feira uma nota a afirmar que comprou as acções do grupo SLN, dono do BPN, por 2,2 euros e não por um euro, como tinha afirmado ao PÚBLICO por telefone. Rui Machete desmente Rui Machete. Pode? Pode, pois. Preso, não vai. Cavaco também se encheu à grande mesa do BPN, logo, o poder também não foge. E votos, o seu partido também não perde. O pessoal que vota no centrão não liga nada a estas coisas e aqueles outros, os que não votam, não contam para nada e ainda ajudam convencendo outros a fazerem o mesmo.

5 comentários:

Anónimo disse...

Desculpem... mas tudo em que entre politicos da treta...é só merda!
Há ou não liberdade de expressão? Há ou não o direito à indignação? Qual a razão que temos de aguentar calados toda esta cambada de Xulos?

Filipe Tourais disse...

O anónimo vota?

Fenix disse...

Os portugueses que votam (e os que se abstêm) desde o 25 de Abril, sofrem da síndrome de Estocolmo...e antes isso, do que verem as suas criancinhas "comidas ao pequeno almoço" pela Esquerda! ou então, são apenas uns néscios que não merecem nem uma gota do sangue derramado em toda a história da humanidade pela sua libertação!

a ler disse...

«(...) O colapso que estamos a viver foi gerado ao longo de mais de uma década por mecanismos socioeconómicos criadores de endividamento público e privado (sobretudo este) que, num país de economia frágil e sem moeda própria, se tornaram insustentáveis. Por isso, a crise atinge mais a periferia sul da zona euro. A interpretação neoliberal deste processo explora o senso comum e faz sentido para a maioria das pessoas - "o nosso despesismo sustentou durante décadas um Estado social incomportável, o que nos conduziu a mais uma crise. Vamos na terceira intervenção do FMI, mas, agora dentro do euro, temos mesmo de fazer aquilo que já não é adiável, reduzir o Estado social focando-o nos mais necessitados". (...) É uma narrativa muito forte porque é plausível para o cidadão comum sem formação específica. Assim sendo, seria de esperar que as esquerdas tivessem investido fortemente na elaboração de uma alternativa, até porque a política de austeridade que tem sido seguida produziu uma calamidade social. Infelizmente, apenas foram produzidas narrativas parcelares sem consistência global. Uma contranarrativa teria de explicar em linguagem simples e popular que o endividamento foi gerado pela perda do escudo e que isso conduziu ao crédito fácil e à desindustrialização do país. Teria de dizer que com o euro perdemos as políticas de que precisamos para ir mais além no desenvolvimento. Teria de dizer também que perdemos a liberdade para decidir sobre as diversas vertentes do Estado social porque essas escolhas já estão feitas e inscritas nos tratados, as que a Alemanha aceitou ou mesmo impôs. Teria de dizer que não temos futuro dentro do euro.» - Jorge Bateira, no I.

Anónimo disse...

O destino dos 30 milhões de euros pagos à Escom pelo consórcio alemão que vendeu os submarinos a Portugal ainda não foi apurado pela justiça portuguesa, mas a investigação já fez três arguidos, noticia esta quarta-feira o jornal i. Helder Bataglia, Luís Horta e Costa e Pedro Ferreira Neto são os primeiros arguidos deste processo aberto a partir das escutas telefónicas do processo Portucale. Nas conversações e documentos apreendidos, os investigadores encontraram indícios de acordos entre Luís Horta e Costa, então presidente da Escom, com Paulo Portas e Abel Pinheiro, o responsável financeiro do CDS. Horta e Costa e Abel Pinheiro também foram acusados no caso dos sobreiros na herdade dos Espírito Santo.

A suspeita do pagamento de comissões a políticos com intervenção no negócio esteve na origem da investigação que se tem prolongado no tempo. A justiça alemã já julgou e condenou alguns administradores do consórcio da Ferrostaal, por corrupção na venda de submarinos a Portugal e à Grécia. Os três arguidos da Escom estão indiciados por crimes de corrupção ativa, tráfico de influências e branqueamento de capitais.

O jornal i adianta que a Procuradoria de Munique enviou em 2010 um email às procuradoras Carla Dias e Auristela Pereira a alertar para pagamentos à empresa Escom UK, também do universo do Grupo Espírito Santo.