sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Acima das nossas possibilidades


– Ouve lá, Rui, tu não estarias interessado em ganhar uns dinheiritos valentes sem teres que trabalhar?

– Claro que estou. Eu não sou menos espertalhaço do que vocês, estou sempre interessado em ganhar uns dinheiritos sem ter que trabalhar, quanto mais melhor. Mas conta lá, como é isso?

– É muito simples e são 150% garantidos. Tu hoje compras-nos umas acções do banco e daqui a uns meses nós voltamos a comprar-tas a mais do dobro do valor que as comprares.

– Ó pá, isso é impecável. Então, mas isso é assim, depois isto não dá chatices?

– Quais chatices! O chefe também vai ganhar. O banco paga. Isto vai tudo para o monte. Depois, um dia, daqui a uns anos, quem sair por último que feche a porta. Tu sabes como é, estas coisas não interferem na forma como os portugueses usam o voto.


Um diálogo semelhante a este há-de ter ocorrido algures no início dos anos 90. Tal como Cavaco Silva o fez, não sei se antes ou se depois, Rui Machete comprou mais de 25 mil acções do BPN ao BPN e, passado uns meses, o BPN comprou-as de volta a Rui Machete por um valor 2,5 vezes superior. As fortunas dos Cavacos, Loureiros, Machetes e companhia  foram aumentando na mesma medida em que o buraco do BPN, entretanto nacionalizado para evitar o "risco sistémico"  de prisões e confisco de fortunas. E hoje somos todos nós, portugueses, que estamos a pagar-lhes os enriquecimentos, com Cavaco na Presidência da República e com Rui Machete no Governo. Os portugueses continuam a não usar o voto para punir  quem usa o poder para enriquecer à custa de todos: "os políticos são todos iguais" e outras que tais. 



1. O actual ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, adquiriu, no início da década passada, cerca de 25,5 mil títulos da SLN, dona do BPN, a um euro cada, que alienaria nos anos seguintes ao grupo liderado por Oliveira Costa, mas agora a dois euros e meio por acção.






3 comentários:

fb disse...

Um diálogo semelhante a este há-de ter ocorrido algures no início dos anos 90. Tal como Cavaco Silva o fez, não sei se antes ou se depois, Rui Machete comprou mais de 25 mil acções do BPN ao BPN e, passado uns meses, o BPN comprou-as de volta a Rui Machete por um valor 2,5 vezes superior. As fortunas dos Cavacos, Loureiros, Machetes e companhia foram aumentando na mesma medida em que o buraco do BPN, entretanto nacionalizado para evitar o "risco sistémico" de prisões e confisco de fortunas. E hoje somos todos nós, portugueses, que estamos a pagar-lhes os enriquecimentos, com Cavaco na Presidência da República e com Rui Machete no Governo. Os portugueses continuam a não usar o voto para punir quem usa o poder para enriquecer à custa de todos.

Anónimo disse...

Punir com o voto? Punir é com a cadeia. O voto serve para escolher os seguintes.

Filipe Tourais disse...

Vai continuar a ser difícil punir com a cadeia sem punir primeiro com o voto. É com o voto que se lhes retira quer o poder de legislar que torna tudo legal, quer o poder que têm sobre certos profissionais da gaveta que proliferam na nossa Justiça. Nossa, deles, bem entendido.