segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A arte de roubar


O BPP já tem 400 milhões para indemnizar os credores”, é a “boa notícia” que se lê em toda a imprensa da manhã. Em bom rigor, o título deveria ser “O BPP ainda tem 400 milhões para indemnizar os credores”, uma vez que o Estado português, leia-se, todos nós, deu uma ajuda de 450 milhões àquela associação de delinquentes que enriqueceram à nossa custa. E seria uma má notícia. Pior ainda, péssima, se a penhora prioritária a favor do Tesouro for declarada inválida, o que ninguém pode garantir que não venha a acontecer. O que acontece todos os dias é este espectáculo de notícias péssimas às quais a comunicação social põe cara de boas. Um dia, ainda se esclarecerá quanto custa e quem paga estas vacinas contra a intolerância à arte de bem roubar.

Do mesmo género literário: “A maioria das previsões sobre a economia portuguesa no segundo trimestre aponta para o fim da recessão, antecipando-se uma evolução positiva trimestral do produto que oscila entre os 0,3% e os 0,6%.” É como se tivessem andado a fazer uma sondagem completamente aleatória e como se a economia recuperasse ao sabor dos palpites da tal maioria, que, porque  nunca se enganou, mantém intacta toda a sua credibilidade.

1 comentário:

Anónimo disse...


Manuel de Malabo posted to: APRe! - Grupo dos Associados
As pensões e os abanões.
Os mistérios da conversa e da crise da conversa. Não sei se as gentes querem mesmo que se perceba a crise. Ou a crise da conversa, ou seja, o falado mistério da razão porque é que Portugal está mesmo tramado.
A Grécia teve uma 'bolha' governamental. A Irlanda e a Espanha tiveram uma 'bolha' imobiliária. A Itália não teve ´bolha' nenhuma, só mesmo uma anemia no crescimento económico. E Portugal teve uma das mais silenciosas, calmas e tranquilas catástrofes de que há memória na história económica.
Há, é certo, um factor comum: a moeda comum que liga todos eles. Todos cresceram durante o boom do dinheiro barato, todos se tramaram quando ele se foi com as vigarices sistémicas e da conversa do too big to fail. E agora falamos pequeno mas não menos grave: falamos dos confiscos aos cidadãos para dar tranquilidade aos vigaristas. Mas o essencial vai ficar na mesma. Sem responsáveis e sem responsabilização. E depois, tranquilos, muitos vão votar como se isto se fosse a assembleia geral do clube. Sem o menor sentido crítico e de cidadania. Veremos.