quinta-feira, 25 de julho de 2013

Olha que bonito



Os média do mundo inteiro estão a difundir a notícia. O antigo Presidente dos EUA, George Bush, de 89 anos, rapou a cabeça em solidariedade com o filho de um dos agentes da sua equipa de segurança, um rapaz de dois anos, que está a ser tratado a uma leucemia e começou a perder o cabelo. Este é o tal tipo de gestos que uma certa tipologia de patifes adora fazer para encantar uma multidão de palermas que os confunde com solidariedade.

George Bush, tal como o seu filho, foi um dos Presidentes americanos que mais trabalhou para as fortunas das seguradoras que ganham rios de dinheiro, quer porque a tipologia de patifes a que Bush pertence usa o poder que tem para impedir que todos os americanos tenham um Serviço Nacional de Saúde universal e de qualidade que permita que o acesso à Saúde não seja função dos rendimentos de quem dele precisa , quer porque há uma multidão de palermas que não consegue perceber que o paleio que sustenta esta opção política, a alegada libertação dos cidadãos da opressão do enorme peso do Estado, apenas liberta os mais ricos da obrigação de contribuírem na proporção dos seus rendimentos para o pagamento solidário da Saúde de todos, uma ilusão que põe pobres e remediados a votarem contra si próprios e a favor desta libertação tão fraternal.

Resultado: o sistema de saúde norte-americano é simultaneamente um dos mais caros do mundo e um dos piores em termos de qualidade de acesso, de eficácia e de equidade. Existem mais de 45 milhões de americanos que, porque não podem pagar um seguro de Saúde, quando necessitam de fazer um tratamento apenas um pouco mais caro do que todo o dinheiro que possuam, ou são forçados a pedinchá-lo como esmola na paróquia mais próxima ou similar, ou pura e simplesmente não são tratados.

Em Portugal, a substituição do acesso à Saúde enquanto direito de todos sem excepções por este sistema assistencialista vai fazendo o seu caminho sobre os pilares da inconsciência dos que se encantam com alguém que rapa o cabelo, diz ele que para ajudar uma criança. Eu também o rapo, pelo menos duas vezes por semana, e não ando para aí a dizê-lo. Fica só entre nós.



(No vídeo, "Sicko", de Michael Moore (2007), 1 de 13, dobrado em português)

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