quinta-feira, 18 de julho de 2013

O pato

O dia amanheceu com cagarras. Cavaco Silva deu o mote começando o dia a jurar que via sinais "muito positivos com significado histórico" nos encontros que decorrem entre PSD, CDS e PS. Termina-o a apelar aos mesmos três partidos que ouçam a UGT e os patrões e a dizer que acredita que PSD, CDS e PS ainda vão chegar a um acordo.
Pelo meio, durante o debate da moção de censura do PEV, entre juras de amor perpétuo, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas foram deixando sinais de que a remodelação governamental avançará tal e qual foi proposta a Cavaco com ou sem o PS, desafiando António José Seguro a ultrapassar as hesitações e deixando sinais fortes de que não pretendem afastar-se um milímetro da rota de destruição do país iniciada há dois anos, pela qual são solidariamente responsáveis os três partidos que assinaram o memorando da nossa desgraça. Destaco uma frase de Pedro Passos Coelho: “o país precisa de um PS que, como partido que aspira a governar, não acalente a fantasia de uma súbita e perpétua vontade de o Norte da Europa passar a pagar as nossas dívidas provavelmente para sempre”.
E o dia termina com a imagem de um patinho. António José Seguro passou um dia acagarrado. Acagaçado de manhã, devido às várias ameaças de revolução no seu partido deixadas no ar por várias personalidades históricas e por algumas figuras que vão ganhando peso político no PS, que não aceitam que se atreva a firmar um acordo com PSD e CDS numa base austeritária, e, mais  à tardinha,  a descobrir que está agarrado  a negociações que apenas poderia ter aceitado caso a sua liderança tivesse uma base de apoio que, descobre-o agora, não tem. Um sinal do pânico que poderá ter-se instalado por aquelas bandas, às 20h30, António José Seguro adiou para amanhã a reunião da Comissão Política que estava marcada para as 21h, numa nota que admite futuros adiamentos. Outro sinal, a entrada de António José Seguro no plenário da AR quase duas horas depois do início do debate da moção de censura ao Governo do PEV. 
E amanhã, o dia que deu como prazo limite para o entendimento de "salvação nacional",  Cavaco regressará daquela viagem às ilhasCagarras que decidiu fazer para deixar os bons meninos sozinhos a brincar aos consensos. Recordêmo-lo, tudo isto explodiu com a demissão de Vítor Gaspar no dia 1, ganhou maiores proporções ainda no dia seguinte com a demissão irrevogável de Portas e a declaração de Pedro Passos Coelho a revogar essa irrevogabilidade histórica e atingiu proporções atómicas com a surpresa que Cavaco Silva reservou para dia 10. A partir daí, os ânimos foram serenando. E amanhã já é dia 19, Segunda-feira será dia 22 e o Verão está quente e lindo.
Não me surpreenderia rigorosamente nada que Cavaco Silva se encha subitamente de pressa, o país não pode esperar e essas coisas, e viabilize o tal Governo que terá Paulo Portas como Vice com plenos poderes e Passos Coelho como Primeiro-ministro e segunda figura. Demissões, talvez só mesmo a do patinho que se prestou ao papel do idiota útil que foi dialogando, dialogando, dialogando até à poeira assentar. E depois vem a silly season. A rua permanecerá calada.

1 comentário:

Anónimo disse...

O pato quer é pote!