quarta-feira, 3 de julho de 2013

O padrinho de Belém

Em comunicado, a Presidência da República faz saber que Cavaco Silva  reunir-se-á na quinta-feira com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e “ouvirá seguidamente os partidos com representação parlamentar”. Cavaco Silva aguentou Dias Loureiro no Conselho de Estado até ao último minuto, Cavaco Silva aguentou Pedro Passos Coelho no Governo até ao último minuto. Cavaco Silva aguentará sempre qualquer bandido até ao último minuto.

2 comentários:

de José Brás disse...

Será exagero dizer que é difícil encontrar sobre a Terra, povo tão bisonho (repetindo Eduardo Lourenço) como este, eu, tu, ele…nós, gente que tem passado os últimos anos atada à caixinha que o sistema nos pôs sobre um móvel da casa, embasbacada a ouvir os Camilo, os César das Neves, os Gomes Ferreira, ultraliberais palradores de serviço enfeitiçados pelas teorias dessa escola americana de Milton Friedman espalhada pelas igrejas do mundo disfarçadas de universidades, ou simplesmente, a troco de tostões e de galarim, servidores sem vergonha na cara, da pulhice que abocanhou o mundo na forma do chamado capital financeiro, na verdade, bandidos globais, novos colonialistas inventores da economia virtual que usaram para se instalarem e sugarem o que resta de recursos da humanidade?
Será exagero, dizer de mim, de ti, de nós, que não passamos de gentio que muito se anima se nos dão espelhinhos novos, palavras apenas, festa e fogo de artifício, enrolados no falso brilho do palavreado de meia dúzia de malandrins manipuladores?
Como é que temos a lata de continuar a ouvir dizer que Vitor Gaspar falhou, que Passos Coelho é Primeiro Ministro, que Seguro é o líder da oposição, sem darmos um murro na mesa recusando toda essa mentira que nos é contada para que nos mantenhamos calmos e de veias abertas para pagar juros de uma dívida virtual aos Al Capone que nos assaltaram o corpo e a alma?
Então não se mete pelos olhos que o Vitinho não se enganou nas previsões, não falhou nas metas e nem sequer é esse incompetente que nos agrada muito chamar-lhe para escondermos de nós próprios a nossa cândida parvoíce?
Na verdade, o homenzinho foi metido neste grupo de malandros para produzir o resultado que construiu, aumentar a dívida, destruir o pouco que ainda havia na economia do País, esbandalhar a ideia de trabalho e de emprego, deixar-nos ainda mais dependentes da quadrilha do que já éramos, destruir esta ideia de Pátria que ainda tínhamos esperança de ser.
E saiu agora com o trabalhinho feito, impune sobre os crimes que cometeu sobre as nossas posses, sobre os nossos direitos, sobre o futuro dos nossos filhos, sobre a nossa alma. Impune sobre os tiros que deu nos deu no corpo e no sonho antigo.
Saiu e foi viver na sua verdadeira Pátria, que se escreve em anglo-saxónico, em suíço, em alemão com palavras como Goldman Sachs, J.P.Morgan, Deutsche Bank, Barclays, Crédit Suisse, e em caracteres como BCE, OMC, EU…
E ficamos todos aparvalhados quando ouvimos esta coisa meio tró-la-ró, meio aventureiro, meio passado duvidoso, em quem votámos e a quem chamamos Primeiro Ministro, dizer que não se demite nem que fique sozinho com seus carros e com seu gabinete ministerial.
Será exagero, então, dizer que os séculos de canga que já levamos; a catrefa de reis absolutistas, centralizadores, incompetentes e ladrões que alimentámos durante os tempos; esta Igreja de dízimos e de lantejoulas, de cardeais salazarengos; este medo que se instalou nas artérias, nos fez humildes e cordatos em demasia; nos tomou a ousadia de pensar e nos sentou sem coragem de ir além do que nos contam pela caixinha que nos que nos permitem?

Anónimo disse...

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1794570