sexta-feira, 26 de julho de 2013

O manual de sobrevivência


Depois de se ter sentado à mesa do grande banquete BPN, Rui Machete entra para o Governo de iniciativa do chefe do gang BPN. Maria Luís anuncia mais uns milhões para o comprador do BPN a preço de amigos, por sinal liderado pelo Ministro da Indústria do Governo do atrás referido chefe do gang BPN. Maduro diz com aquela vozinha de veludo nasalado que há sacrifícios que os portugueses ainda vão ter que fazer. O lobo Xavier uiva uma redução do IRC que o IRS há-de compensar. Pedro usa a sua voz de barítono para dizer que a Ministra mentirosa é uma senhora que merece toda a sua confiança. E António José Seguro emudeceu. É natural. Foi o seu partido que prestou o serviço ao país de privatizar o BPN. E os SWAPS vêm do tempo de um tal José Sócrates que muitos tentam agora beatificar à sombra da estrumeira que cresceu por cima daquela que Sócrates fez crescer. O silêncio de Seguro vai passando despercebido. O manual de sobrevivência do regime manda queimar o PSD enquanto se poupa o PS e fazer arder o PS enquanto se promove o PSD. Regra das regras, nunca queimar os dois em simultâneo. Os portugueses contentam-se em divagar sobre os diagnósticos que fazem e em entreter-se num eterno queixume. E daí não passam. Mudar é que não.  
  • Actualização: entretanto, o PS quebrou o silêncio para dizer umas coisas. Carlos Zorrinho diz que Maria Luís Albuquerque perdeu as condições para permanecer no cargo, alegando razões éticas. Sobre os SWAPS serem uma vigarice e, usando a semântica do centrão,  sobre a irresponsabilidade e falta de sentido de Estado de quem assinou os contratos respectivos, nem uma palavra.
  • Ainda sobre o mesmo arco: no início dos anos noventa, o actual ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, presidiu à comissão parlamentar de inquérito aos alegados perdões fiscais concedidos pelo ex-secretário de Estado de um Governo do PSD e, mais tarde, presidente do BPN, Oliveira eCosta, a empresas do centro do país, nomeadamente, à Cerâmica Campos. No relatório final, os deputados ilibaram Oliveira Costa, que é hoje o principal arguido do caso BPN (onde o Estado já injectou cerca de 4 mil milhões de euros), de qualquer “actividade discriminatória culposa imputável”, apesar das evidências e de vários pareceres jurídicos apontarem precisamente o contrário.

1 comentário:

fb disse...

Depois de se ter sentado à mesa do grande banquete BPN, Rui Machete entra para o Governo de iniciativa do chefe do gang BPN. Maria Luís anuncia mais uns milhões para o comprador do BPN a preço de amigos, por sinal liderado pelo Ministro da Indústria do Governo do atrás referido chefe do gang BPN. Maduro diz com aquela vozinha de veludo nasalado que há sacrifícios que os portugueses ainda vão ter que fazer. O lobo Xavier uiva uma redução do IRC que o IRS há-de compensar. Pedro usa a sua voz de barítono para dizer que a Ministra mentirosa é uma senhora que merece toda a sua confiança. E António José Seguro emudeceu. Foi o seu partido que prestou o serviço ao país de privatizar o BPN. E os SWAPS vêm do tempo de um tal José Sócrates que muitos tentam agora beatificar à sombra da estrumeira que cresceu por cima daquela que Sócrates fez crescer. O silêncio de Seguro vai passando despercebido. O manual de sobrevivência do regime manda queimar o PSD enquanto se poupa o PS e fazer arder o PS enquanto se promove o PSD. Regra das regras, nunca queimar os dois em simultâneo. Resulta.