quarta-feira, 17 de julho de 2013

Manifesto "viva o memorando"


O expresso divulga em primeira mão um manifesto dirigido por um conjunto de personalidades ao PSD, PS e CDS para que alcancem um acordo de "salvação nacional". E nada melhor queolhar para a lista de nomes para verificar que esta "salvação nacional" mais não é do que a salvação da oligarquia do regime e dos seus homens da situação: Daniel Bessa, Francisco van Zeller, João Bento, João Talone, José Manuel Morais Cabral, Rui Horta e Costa, Alexandre Relvas, António Palha, Duarte Calheiros, Frederico Lima Mayer, João Melo Franco, Nuno Fernandes Thomaz, Nuno Galvão Teles, Paulo Azevedo, Paulo Sande, Rui Vilar, Salvador de Mello, Vasco de Mello, entre outros. Tudo boa gente. Todos eles elogiam os progressos alcançados nos últimos dois anos. Todos eles lamentam o desemprego que fabrica a mão-de-obra dócil que agora trabalha muito mais barato para as suas fortunas. Portugal foi o país da OCDE onde se verificou a segunda maior quebra de salários reais em 2012, logo a seguir à Grécia, depois de ter sido o primeiro em 2011. Em 2013, os portugueses trabalham gratuitamente mais quatro dias em consequência da supressão de outros tantos feriados. O número de milionários portugueses aumentou 3,4% no ano passado. Como é que eles não hão-de querer que continuem a salválos? A oligarquia quer estabilidade.


Vagamente relacionado com o ajuste de contas com o 25 de Abril em curso: o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou o Estado português a pagar cerca de 1,5 milhões de euros de indemnização a famílias que viram as suas herdades expropriadas em 1975, por via da reforma agrária. Com esta decisão, sobem para mais de dez milhões as verbas que o Estado tem sido obrigado a entregar desde 2000 aos proprietários para os ressarcir do período em que foram desapossados das terras. Este montante não inclui nem a devolução das herdades — conseguida quase na totalidade — nem anteriores indemnizações já entregues aos mesmos latifundiários pelo Estado. Se se levarem em conta estas parcelas, a factura sobe para mais de 240 milhões. Nem os Tribunais nacionais, nem o Tribunal Europeu produziram qualquer condenação por 48 anos de enriquecimentos à sombra de um regime que, durante décadas, apenas permitia que certas actividades económicas fossem desenvolvidas exclusivamente pelas famílias da sua oligarquia, condenando toda a restante população à exploração dos salários de miséria e à semi-escravatura das condições de trabalho sem direitos que as enriqueceram. Como se lê na lista de nomes acima, A descendência destas famílias está novamente a tomar conta de tudo. Estamos a assistir impávidos e serenos à consumação do ajuste de contas com o 25 de Abril que sempre sonharam. Um dia, eles  que nos indemnizem também pelo que estão a fazer ao país.

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