quinta-feira, 11 de julho de 2013

Gostei de ler: "Afinal, o Álvaro também vai ficando"



«O Álvaro já se tinha despedido, não deixando de assinalar os enormes resultados do seu ministério. O Pires de Lima já tinha revelado toda a sua dignidade ministerial, na rádio, ao por-se ao dispor do senhor presidente para cumprir as mais altas funções de estado. O Paulo Portas tinha aceite, humilde, as suas vestes de vice-primeiro-ministro, designado em  por sua excelência o senhor primeiro-ministro. A Maria Luis Albuquerque tinha mesmo tomado posse perante os donos, no eurogrupo. Durão Barroso, prestimoso, tinha designado um dos seus homens para ficar com os negócios estrangeiros e Washington tinha aprovado.

Chegado o dia da grande decisão, o presidente comunicou que o Álvaro fica e ficam todos, embora isso não lhe interesse nada. Ficam reféns em S. Bento, porque se portaram mal, mas ficar, ficam. Para já, amanhã pode ser outro dia.

De facto, o presidente, que terá agravos que são secretos, decidiu que nada disto de remodelações governamentais lhe interessa. Decidiu portanto que é precisa uma decisão rápida, e por isso esperou mais de uma semana em solilóquios com diferentes representantes da sociedade civil. Que é preciso uma aliança, mesmo que demasiado pouco e demasiado secreto pareça ter sido feito para conseguir essa aliança. Temos assim terreno fértil para a cavacologia, essa ciência exactamente misteriosa que trata dos estados de espírito do presidente. A verdade é que ninguém sabe o que o presidente está a fazer ou sequer percebe exactamente o que ele está a dizer. Tínhamos um problema social e económico, passamos a ter um problema de presidência.

Só há uma conclusão que resulta mais forte de todo este imbróglio. A crise é de regime, a governação da troika desfaz-se porque não tem nada para oferecer senão desgraça e desespero. A mais importante conclusão política do discurso de Cavaco é esta: ele fez tudo ontem, mais do que toda a esquerda jamais conseguiu ao longo de todo o tempo, para mostrar que o arco da governação é um embuste e é um embuste perigoso. Quanto mais cabem, mais absurdo fica o arco. Quanto mais governam, pior fica o país.

A única verdade certa vem então ao de cima: na crise, a única solução democrática, porque não há mais nenhuma, é convocar eleições.» - Francisco Louçã, no Facebook.

 

Sem comentários: