quarta-feira, 10 de julho de 2013

Estabilidades: a deles e a nossa


O JP Morgan, um dos maiores bancos de investimento do mundo, diz que há um problema no sul da Europa, mas não é nem a elevada taxa de desemprego, ou a recessão induzida pela austeridade. É a constituição, de “forte cariz socialista”, e os direitos laborais inscritos nas constituições pelos partidos de esquerda depois da queda dos regimes fascistas. Ler mais sobre esta definição de “estabilidade” aqui.

Sobre o reverso desta “estabilidade”, aqui lê-se sobre os instrumentos concebidos para garantir o despedimento de 30 mil funcionários do Estado, objectivo fixado por um Governo que não investe um cêntimo na criação de emprego mas irá enterrar milhões na destruição de 30 mil postos de trabalho directos, bem como um número de postos de trabalho indirectos indeterminado por tanta irresponsabilidade.

Por exemplo, como é que estas pessoas irão pagar os empréstimos que, no pressuposto de um vínculo laboral estável, contraíram junto do tal sector por cuja delinquência andamos todos a penar? Estão a abrir novo buraco a pagar pelos mesmos de sempre em capítulos seguintes deste pesadelo que apenas terminará quando começar o pesadelo do JP Morgan: quando a democracia for restaurada. Que estabilidade queremos, a deles ou a nossa? Temo-los deixado imporem-nos a deles.


Vagamente relacionado: Em 2014, instituições europeias, FMI e a banca nacional deterão 80% da dívida soberana portuguesa. O que quer dizer que os credores privados internacionais, que em 2008 detinham 75% da nossa dívida, se puderam, à custa dos nossas sacrifícios e dos contribuintes europeus, livrar dela. Daqui a um ano terão apenas 20%. Foi este o verdadeiro resgate dos últimos anos. Um resgate à banca internacional. Não serviu para pagarmos as nossas dívidas. Até devemos mais do que antes. Serviu para que elas mudassem de mãos. Ou sendo transferidas para dentro do País ou sendo transferidas para instituições europeias e internacionais que têm os instrumentos políticos para nos obrigar a pagar tudo até estarmos exauridos. Coisa que, lamentavelmente, faltava a estes credores internacionais que são, vale a pena recordar sempre, os grandes responsáveis pela crise financeira que criou as condições para a insustentabilidade das dívidas públicas. Entre as maiores instituições financeiras internacionais está a JP Morgan. (continuar a ler)

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