domingo, 14 de julho de 2013

As regras do jogo


O Partido Socialista,  o mesmo  que está em aturadíssimas negociações com PSD e CDS com vista a um acordo que viabilize a proposta de "salvação nacional" de Cavaco Silva,  acaba de anunciar que votará a favor da moção de censura que o PEV apresentará na Quinta-feira no Parlamento. Confusos? Não é caso para tanto.

Eles dizem que estão a negociar sem dizer a negociar o quê. Eles falam em consenso sem dizer relativamente a quê. Eles falam em "salvação" referindo-se ao prolongamento de um programa que já destruiu mais vidas e mais empresas do que seria admissível. Eles falam em "interesse nacional" fazendo-o passar pelas negociatas que têm em agenda (venda ao desbarato de CTT, Águas de Portugal e Caixa Geral de Depósitos) e afastando-o da denúncia do memorando e  do empréstimo que lhe está associado com os quais puseram Portugal e os portugueses a empobrecer para enriquecer uma troika de agiotas e para recapitalizar um sector financeiro com um acumulado de décadas de delinquência.

Os portugueses habituaram-se a uma política espectáculo que lhes serve um vasto cardápio de "inevitabilidades" evitável se já tivessem aprendido a não confiar um único voto a partidos que já deram provas suficientes de que o que dizem e nada tem o mesmo valor. Não há surpresa alguma que estes partidos lhes sirvam o que a grande maioria dos portugueses nunca deu mostras de querer rejeitar, e acresce referir que nada se rejeita pela mera abstenção. Querem espectáculo, servem-lhes espectáculo.

O que ainda vai surpreendendo mesmo é que os únicos dois partidos de confiança, que sempre estiveram contra os memorandos, a reconfiguração social que enriquece uma minoria empobrecendo toda a restante sociedade e que sempre se mantiveram fieis aos contratos eleitorais  que os ligam aos eleitorados respectivos ainda não se tenham dado conta de que são estas as regras do jogo. Também eles necessitam de criar quer a sua própria coreografia, quer a sua própria semântica. No que toca a coreografia, estes dias poderiam perfeitamente tê-los dedicado a reunir-se com vista a um entendimento à esquerda. No que toca a semântica, haveria que dar-lhe um nome que compita pelo ouvido com a semântica oficial do regime: "arco da alternativa" seria uma possibilidade. Fica a sugestão juntamente com a constatação de que necessitam de fazer muito mais do que estão a fazer para que sejam efectivamente uma alternativa que assegure a salvação nacional. Têm o país todo à sua espera.

1 comentário:

Mariposa Colorida disse...

Neste momento, neste país, quem não estiver confuso, está mal informado!