quinta-feira, 25 de julho de 2013

A "salvação nacional", numa escola perto de si


«Milhares de professores contratados, qzp, do quadro, começaram por estes dias a arrumar os seus cacifos e as suas “tralhas” nas escolas onde trabalharam e deram o melhor de si nos últimos anos, dois, quatro ou muitos mais. Passam o portão da escola com tristeza e sem saber se regressam. Tristeza porque vão deixar a escola de que gostam e na qual sabem que fazem falta. Vão de “férias”, mas não vão alegres, pois partem na incerteza, muitas vezes para casa da família que visitam apenas nesta altura do ano, não sabendo se podem ter uma verdadeira pausa na pressão do quotidiano, se apenas mudam de sítio, enquanto o futuro pesa sobre um presente que não consegue ser desfrutado. Vão com o computador atrelado, pois devem concorrer a qualquer momento, estejam onde estiverem, e têm prazos a cumprir que não se compadecem com a necessidade de um tempo de descanso.

Em Setembro muitos deles irão  fazer falta nas escolas de que agora estão a mandá-los sair, mas não ficarão lá colocados porque o MEC sempre poupa algum dinheiro com a desgraça alheia e com os salários cortados em semanas ou meses, não se ralando se existem alunos à espera das aulas. Vão passar as férias preocupados, os que conseguirem colocação vão começar o ano já desgastados, mas muitos nem isso conseguirão, mas isso não interessa nada aos que os consideram simples variáveis numa equação falhada.

No final do ano, o que interessa é analisar níveis de sucesso ou insucesso, não os preocupando as condições em que esse sucesso é conseguido. Como numa fábrica de pregos, o que interessa é o número de unidades produzidas pelo menor custo possível.» (Paulo Guinote)

 
«O resultado do concurso nacional de colocação de professores é “catastrófico”, diz a Fenprof. De 45.431 contratados e desempregados, apenas 3 entraram no quadro. 98,5% dos docentes em Quadro de Zona Pedagógica não conseguiram colocação em quadros de escola ou de agrupamentos de escolas. A FNE diz que "os quadros das escolas vão continuar insuficientemente dotados" para as necessidades, enquanto a Fenprof declara que “o MEC de Nuno Crato é a principal agência de desemprego docente”.» – esquerda.net)

  ««Como se previa, o concurso interno e externo para 2013/14 apresenta números caricatos que são consequência dos cortes a eito registados no sistema escolar. E o que mais cansa é ouvir os especialistas em "reformas do Estado" "ignorarem" permanentemente esta tragédia e passarem a vida a enunciar que os cortes na Educação estão por fazer. Apesar de 1147 professores terem conseguido mudar de escola, apenas 3 professores conseguiram vincular e agora espera-se pelo processo DACL numa atmosfera em que os sindicatos acusam o MEC de não estar a cumprir as actas da mesa negocial. Estas trapalhadas só merecem uma interrogação: Como?!» - (paulo guilherme trilho Prudêncio)
«Professores do movimento Em Defesa da Escola Pública do Oeste entregaram uma queixa no Departamento Central de Investigação e Acção Penal em que acusam um colégio das Caldas, o Rainha Dona Leonor, de acesso indevido a dados pessoais. Em causa está o facto de encarregados de educação com filhos no ensino público terem sido convidados recentemente por telemóvel, telefone e correio electrónico para uma acção de divulgação da oferta de ensino do colégio, com o objectivo de transferirem os jovens para o Rainha Dona Leonor. O movimento quer saber onde foi o colégio arranjar os contactos dos encarregados de educação.» (Público)
 

« (...)num agrupamento com 1000 e poucos alunos, em várias áreas disciplinares, apenas sejam necessários 5 a 7 professores para assegurar os níveis de ensino desde os 5º ao 12º anos. E quando 1- for extinto o art.º 79º 2- for extinta a componente lectiva da DT e 3- ocorrer a agregação dos mega-agrupamentos em giga-agrupamentos, no máximo 5 professores dessas áreas disciplinares asseguram a componente lectiva desses níveis todos. Em tempos idos, nesse mesmo agrupamento, o serviço (com inclusão de ensino profissional) era assegurado por 14 a 16 professores. Tempos de uma sociedade humanizada, onde se valorizavam a união conjugal, a família e a educação dos filhos, se respeitava o envelhecimento, se reconhecia o beneficio do lazer, se aceitava naturalmente a limitação biológica, se promoviam os afectos.

Uma educação pública mínima, copiada do modelo anglo-saxónico, reservada a um punhado de funcionários, sobrecarregados com centenas de alunos cada um e demais tarefas não lectivas, onde a qualidade é critério a ignorar. Vai existir algum ensino público, para garantir a existência de estruturas ministeriais que supervisionam esse sistema, criando lugares para os boys do partido e dos que apoiam o partido; é isso que acontece nos EUA e na Inglaterra, onde se estabelece a educação mínima do saber ler, escrever e contar, suficiente para a mão-de-obra não qualificada que ainda é necessária no sector dos serviços e alguma indústria. A educação de qualidade e avançada, é reservada a uma elite que a pode pagar, e que será aquela que ocupará os lugares hierárquicos superiores dos vários sectores económicos. Para conter e suster a miríade de pobres não qualificados que têm de recorrer a métodos ilícitos para sustentar as suas necessidades de consumo, as elites cultas e letradas, contratam os pobres com educação mínima para a prestação dos serviços de segurança interna e defesa nacional (e por isso é que os EUA são o país com o maior número de presos em relação à população total…).

Portanto, a médio prazo, Portugal terá a educação de índole anglo-saxónica, criada num caldo explosivo de aumento da população e infiltração tecnológica em todos os sectores económicos com a consequente diminuição da quantidade de mão-de-obra humana. O destino dos milhares de professores inseridos numa faixa etária económica e socialmente indesejada, será dramático, não muito diferente dos restantes da faixa etária ainda económica e socialmente desejada, que ainda terão ter lugar no porão da escravatura. O pessimismo e optimismo são previsões emanadas de um estado de espírito, enquanto o realismo fundamenta-se nos fatos que aconteceram e acontecem. Infelizmente, o meu pessimismo concretiza-se em realismo.» (Mário Silva)


«O grupo parlamentar do PSD apresentou em 2008 no Parlamento uma proposta de resolução na qual considerava “gravoso” que se quisesse sujeitar professores com vários anos de contratos a uma prova de avaliação de competências e que se lhes exigisse uma nota mínima de 14. Cinco anos depois, o ministro da Educação Nuno Crato propõe aos sindicatos um modelo de prova com características semelhantes. Que está a ser alvo de críticas dos sindicatos.» (Público)

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