sábado, 6 de julho de 2013

A garotada quer, mas o povo não quer


A confiança vive dias impróprios para distracções. Por isso, Pedro leu e Paulo vigiou. Pedro podia não ler exactamente o que estava escrito no documento do acordo a que ambos chegaram.

A declaração ao país destes dois camaradas trouxe poucas novidades. Os assessores já se haviam encarregado de promover as fugas de informação necessárias para que soubéssemos que o acordo da declaração colocaria Paulo Portas na coordenação de toda a área económica do Governo, relações com a troika e reforma da Administração Pública e que mudou de opinião relativamente à sua colega dos SWAPs. Também foi visível a forma afincada como o exército de colaboracionistas trabalhou nas rádios e nas televisões para que nos habituássemos ao novo sentido oficial da palavra "irrevogável", agora carregado de intenso sentido pátrio e de tudo o que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas se lembrarem de os mandar papaguear, nomeadamente o discurso do medo que promete um cataclismo caso se consume a queda do Governo de todos os cataclismos, passados e futuros, como o corte de 4700 milhões que ainda se propõem promover apesar da catástrofe que causaram todos os cortes anteriores. E também não surpreendeu ninguém o ar de grandes estadistas que o par de nódoas empregou para mostrar novamente ao país que desconhece o significado da palavra vergonha.

Pedro Passos Coelho e Paulo Portas anunciaram que a sua permanência no poder apenas depende da vontade do padrinho que lhes ampara todas as canalhices. Para o convencerem que a reconciliação tornou a relação  entre os dois partidos numa amizade fraterna nunca antes alcançada, anunciaram ali mesmo que apresentarão uma candidatura conjunta em coligação às eleições europeias do próximo ano. E o que é que as eleições europeias do próximo ano têm a ver com a permanência em funções de um Governo sem credibilidade nenhuma? Pois nada, mas qualquer acto solene destes tem que ter pelo menos uma novidade, ou então torna-se um aborrecimento completo. A novidade era esta: eles decidiram confundir as eleições legislativas antecipadas que não querem porque os arredaria do poder para todo o sempre com as eleições europeias que não podem evitar nem com a ajuda do padrinho. Ficaremos à espera de qual será a decisão deste. Cavaco Silva saberá que a decisão que tomar na próxima Terça-feira também poderá ser a sua última. Ele sabe que também está por um fio. Cavaco não poderá brincar aos Presidentes nem mais uma vez. A garotada quer, mas o povo não quer. Compete ao Presidente assegurar o regular funcionamento da democracia. E a democracia há-de saber impor-se, a bem ou a mal. Que seja a bem.




 

1 comentário:

fb disse...

Pedro Passos Coelho e Paulo Portas anunciaram que a sua permanência no poder apenas depende da vontade do padrinho que lhes ampara todas as canalhices. Para o convencerem que a reconciliação tornou a relação entre os dois partidos numa amizade fraterna nunca antes alcançada, anunciaram ali mesmo que apresentarão uma candidatura conjunta em coligação às eleições europeias do próximo ano. E o que é que as eleições europeias do próximo ano têm a ver com a permanência em funções de um Governo sem credibilidade nenhuma? Pois nada, mas qualquer acto solene destes tem que ter pelo menos uma novidade, ou então torna-se um aborrecimento completo. A novidade era esta: eles deciiram confundir as eleições legislativas antecipadas que não querem porque lhes roubaria o poder com as eleições europeias que não podem evitar nem com a ajuda do padrinho. Ficaremos à espera de qual será a decisão deste. Cavaco Silva saberá que a decisão que tomar na próxima Terça-feira também poderá ser a sua última. Ele sabe que também está por um fio. Cavaco não poderá brincar aos Presidentes nem mais uma vez. A garotada quer, mas o povo não quer. Compete ao Presidente assegurar o regular funcionamento da democracia. E a democracia há-de saber impor-se, a bem ou a mal. Que seja a bem.