terça-feira, 9 de julho de 2013

A estabilidade andará irrevogavelmente no ar


“Penso que seria de bom tom adiantarmos as coisas e passarmos directamente para a demissão da candidata ao lugar de Gaspar", escreveu Carlos Casimironuma entrada de  acesso restrito no mural de Teresa Almeida, responsável por uma secção especializada em crimes económicos no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa. O comentário de Carlos Casimiro seguiu-se a uma mensagem deixada por Teresa Almeida na segunda-feira, 1 de Julho, dia em que foi conhecida a demissão do ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e foi anunciado que Maria Luís Albuquerque o iria substituir, tomando posse no dia seguinte. “É impressão minha ou isto está tudo a implodir?”, questionava a procuradora numa afirmação que levou vários colegas a comentar a situação política que o país atravessa (aqui lê-se atravessava, no passado).

O magistrado, um dos dois titulares do inquérito aos contratos de swaps, colocou depois à disposição do director do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP),Amadeu Guerra,  a sua continuidade naquele processo, após a revista Sábado ter noticiado na passada quinta-feira esta troca de comentários. Amadeu Guerra ainda não decidiu.

A nota a reter: o que é que Carlos Casimiro sabe, que nós ainda não sabemos, sobre a impoluta nova Ministra das Finanças que o levou a opinar que Maria Luís deveria demitir-se ainda não tinha tomado posse? A resposta a esta questão faz parte da estabilidade que Cavaco Silva viabilizarádepois de amanhã. A estabilidade, está visto, andará por aí. Irrevogavelmente no ar.


Vagamente relacionado: O "jornal i" escreve hoje que "a juíza que deu o voto de vencida no caso Taguspark defende que ficou demonstrado em julgamento que Rui Pedro Soares, Américo Thomati e João Carlos Silva cometeram um crime de corrupção passiva para ato ilícito e deviam por isso ter sido condenados numa pena de prisão não inferior a três anos. Que poderia até ser suspensa, desde que estes pagassem "ao erário público o prejuízo causado com o pagamento ao jogador Luís Figo" como contrapartida pelo "apoio político-partidário" a José Sócrates "nas eleições legislativas de 2009".

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