domingo, 21 de julho de 2013

A democracia é uma cagarra




Cavaco Silva falou novamente ao país. Começou por definir que a governação do país deve servir mercados, especuladores e credores externos, que não devem ser sobressaltados porque senão sofremos sanções. Deixou de fora as pessoas. Prosseguiu definindo democracia como uma subalterna da orientação política da sua introdução. Voltou a deixar de fora as pessoas. Continuou definindo "sentido de responsabilidade" e "interesse nacional" como uma combinação das duas anteriores. As pessoas ficaram novamente de fora. E concluiu que, nestes pressupostos, o melhor que tem a fazer  é manter um Governo que nunca deixou de estar na plenitude das suas funções, expressando ainda a esperança de que, num futuro próximo, os três partidos do seu arco da governabilidade cheguem a um consenso, ao seu, de que o país deve continuar a fazer o que lhe mandam, independentemente da tragédia social e económica que tal obediência consensual acarrete. E as pessoas novamente de fora. Ficámos sem saber então para  que foi todo este Carnaval, que dura desde o primeiro dia do mês. Somos pessoas, não temos nada que nos meter em assuntos que não nos dizem respeito.

Ficaremos, portanto, em nome do conceito presidencial de "sentido de responsabilidade", às mãos de um Governo de garotos  irresponsáveis. Em nome do conceito presidencial de  "estabilidade", manter-nos-emos às mãos de uma austeridade que vai semeando instabilidade. Em nome do conceito presidencial de democracia, esta ficará suspensa, pelo menos até que o Governo registe novo choque de frente com a constituição. E devemos convencer-nos de que tudo isto é melhor do que a sorte grande por ser a solução que melhor imagem projecta de Portugal "lá fora".

Uma referência final para o aviso que Cavaco Silva deixou no ar: um dia, PSD, PS e CDS poderão perfeitamente resolver blindar-se numa maioria com expressão suficiente para poderem alterar a Constituição às exigências dos mercados, dos  especuladores e dos credores externos. Podemos deixar efectivamente de contar para o que quer que seja. Devemos começar a equacionar esta possibilidade e todas as consequências que encerra. É o próprio Presidente da República a deixar a ameaça no ar, convencido de que a democracia é uma cagarra que defeca sobre a indiferença de um povo sem vontade própria para reagir. Terá alguma razão.

2 comentários:

menvp disse...

-> Não é difícil de perceber qual é o objectivo da conversa dos PALADINOS ANTI-AUSTERIDADE (marionetas ao serviço da superclasse – capital global): o endividamento em cima de endividamento... até que pode provocar um crescimento... só que… um crescimento não sustentável (crescimento eng.-socratiano) aproxima-nos da bancarrota (nota: AS BANCARROTAS EXISTEM! um ex: Detroit)… e… um país encostado à parede vende bens estratégicos à soberania: energia, água, etc (há já até quem fale na privatização do oceano português).
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Nota:
-> Um país - tal como uma família, ou uma pessoal individual – está sujeito a atravessar períodos de crescimento e períodos de recessão (enriquecimento ou empobrecimento).
-> Tal como uma família, ou uma pessoa individual, um país deve estar precavido para enfrentar períodos de recessão (empobrecimento)… assim sendo, um país deve tomar precauções para não cair numa situação de 'espiral': fazer empréstimos para pagar empréstimos…
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Anexo:
O PS (e não só) quer implementar a ‘Detroitização’ do país:
- Sindicatos saquearam as empresas, nomeadamente a indústria automóvel, com salários muito acima da média das suas congéneres arrastando as empresas para a crise profunda e a falência;
- O emprego perdeu-se, as oportunidades foram-se e os mais decididos e capazes partiram para outras paragens agravando a crise;
- O flagelo da droga instalou-se e corrompeu o tecido social que mais agravou a fuga das pessoas à insegurança e criminalidade ;
- A cidade desde os anos 60 nunca mais elegeu um mayor republicano (é mais de 1/2 século de uma quase "ditadura" comparável à Andaluzia): foi um domínio absoluto dos "democratas";
- O discurso dos Mayores, quase todos corruptos e alguns ainda prestaram contas à Justiça, devem ter sucessivamente convencido os que ficaram com discursos de solidariedade social, ajudas, tolerância com a droga, tolerância com traficantes, desculpabilização dos consumidores e o habitual palavreado que já conhecemos;
- Os impostos foram sucessivamente aumentados para salvar as políticas dos Mayores o que ainda mais afastou o investimento.
Resultado final: bancarrota…
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P.S.
Um caos organizado por alguns - a superclasse (alta finança - capital global) pretende 'cozinhar' as condições que são do seu interesse:
- privatização de bens estratégicos: energia... água...
- caos financeiro...
- implosão de identidades autóctones...
- forças militares e militarizadas mercenárias...
resumindo: estão a ser criadas as condições para uma Nova Ordem a seguir ao caos - uma Ordem Mercenária: um Neofeudalismo.
{uma nota: anda por aí muito político/(marioneta) cujo trabalhinho é 'cozinhar' as condições que são do interesse da superclasse}

Nuno Valente disse...

O que penso sobre tudo isto está fantasticamente ilustrado nesta canção. Leiam a letra com atenção.
http://youtu.be/rj3-nPnqAnc